O Ministério Público admite que se o traficante Juraci Oliveira da Silva colaborar com a investigação da morte do vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers), Marco Antônio Becker, Jura, como é conhecido, pode receber o benefício da delação premiada. A medida, se admitida pelo Judiciário, tende a reduzir a pena atribuída ao criminoso pelo assassinato do ex-presidente do Cremers. Jura, preso na terça-feira no Paraguai, deve chegar até as 19h em território gaúcho.
O traficante será ouvido ainda nesta noite, logo que chegar a Porto Alegre. Ele será interrogado pelo delegado Rodrigo Bozzeto, que coordenou as investigações sobre o assassinato do médico, em dezembro de 2008. Do Aeroporto Internacional Salgado Filho, Jura será levado à Área Judiciária, onde serão realizados os procedimentos formais da prisão – o Judiciário e a família dele serão comunicados que está detido. Em seguida, o criminoso será submetido a exame de corpo de delito e conduzido à Delegacia de Homicídios.
Para o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ranolfo Vieira Júnior, dificilmente Jura colaborará com a polícia trazendo alguma informação importante aos investigadores. “Eu acredito até que ele vá invocar o direito constitucional de ficar calado.”
O traficante foi preso na quarta-feira por agentes do Serviço Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai. Ele estava com mandados de prisão expedidos pela Justiça gaúcha, solicitados pela Polícia Civil por meio da 20ª Delegacia de Polícia (DP). Foragido desde abril do ano passado, quando fugiu do albergue prisional Pio Buck, Jura é suspeito de envolvimento no assassinato de Becker. O mandante seria o médico cassado Bayard Olle Fischer, que cumpre prisão preventiva e teve seu pedido de habeas corpus negado.
Jura pode receber delação premiada se colaborar com acusação
Traficante será ouvido ainda hoje pela polícia sobre a morte de Marco Antônio Becker