Após dois dias de julgamento pelo Tribunal do Júri, os irmãos Fernanda Rizzotto e Claudiomir Rizzotto foram condenados pelo envolvimento no triplo homicídio qualificado de Kétlyn Padia dos Santos, 15 anos, Diênifer Padia, 26 anos, e Alessandro dos Santos, 35 anos. As vítimas foram mortas por asfixia em maio de 2020, no bairro Cohab, em Passo Fundo. O júri do crime conhecido como "Caso Cohab" terminou na madrugada de sábado, no Foro da Comarca local.
A sentença, lida pelo Juiz substituto da 1ª Vara Criminal, André Luis Ferreira Coelho, fixou as penas de 74 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão, no caso da mulher, e de 68 anos, 1 mês e 15 dias para o homem, ambos em regime fechado.
Os irmãos foram condenados por homicídio com as qualificadoras de: promessa de recompensa e mediante paga, motivo fútil (somente Fernanda), mediante asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, no caso de Diênifer; e com as qualificadoras de uso de asfixia, recurso que dificultou a defesa e para assegurar a impunidade de outro crime, no caso das outras duas vítimas. Cabe recurso da decisão.
O Conselho de Sentença, formado por duas mulheres e cinco homens, acolheu a tese apresentada pelo Ministério Público, que acusou os irmãos de liderarem a execução do crime e atuarem em conjunto com outros envolvidos. Durante a sessão, que começou na manhã de quinta-feira, foram ouvidas seis testemunhas, sendo quatro de defesa e dois de acusação, além de realizado o interrogatório dos dois réus.
Atuaram no julgamento os Promotores de Justiça, Leonardo Giardin de Souza e Valério Cogo, além do assistente de acusação, Advogado Gustavo Kronbauer da Luz. A defesa de Claudiomir Rizzotto foi exercida pelos Advogados Ivanor Antonio Triches, William Cáceres Ribeiro, Edmundo Brescancin Vieira e Gibran Pedro Pereira. Já Fernanda Rizzotto foi representada pelos Advogados Jabs Paim Bandeira, Vera Regina Werlang Ganzer, Andreia Tavares de Jesus, Bebiana Deon, Graziela Vassoler e Ana Paula da Silva.
O fato
De acordo com o Ministério Público, na noite de 19 de maio de 2020, em Passo Fundo, Diênifer, Kétlyn e Alessandro foram encontrados mortos na residência da família, localizada no bairro Edmundo Trein. Conforme a acusação, o caso envolve uma trama de vingança, ciúmes e execução premeditada, resultando na denúncia de cinco pessoas pelos homicídios.
De acordo com a denúncia, as investigações apontaram que Diênifer trabalhava em uma granja no município de Casca, onde manteve um relacionamento extraconjugal com Eleandro Roso, então casado com Fernanda Rizzotto. Da relação, segundo o MP, nasceu uma criança, fato que teria provocado tensões e levado Diênifer a deixar o emprego e mudar-se para Passo Fundo.
Ainda conforme o Ministério Público, Eleandro e Fernanda teriam planejado o assassinato de Diênifer, contando com a colaboração de Claudiomir Rizzotto, responsável por intermediar pagamentos a Luciano Costa dos Santos e Monalisa Kich Anunciação. A denúncia afirma que esses, por sua vez, teriam recrutado os executores.
Na noite do crime, dois homens armados teriam invadido a residência e, de forma violenta, rendido as vítimas. Usando lacres plásticos, eles teriam estrangulado os três, causando-lhes a morte por asfixia mecânica, segundo os laudos periciais. Para a acusação, Alessandro e Kétlyn (pai e filha), familiares de Diênifer, teriam sido mortos para eliminar testemunhas e garantir a impunidade dos responsáveis pelo homicídio de Diênifer.
O caso do triplo homicídio resultou em uma cisão processual e o julgamento de outros envolvidos:
- Eleandro Roso: foi julgado pelo Tribunal do Júri em 16 de novembro de 22 e condenado a 69 anos e 6 meses de reclusão, inicialmente em regime fechado. Em 24 de julho de 2023, a 2ª Câmara do Tribunal de Justiça revisou a pena, reduzindo-a para 60 anos e 8 meses de reclusão. Eleandro foi apontado como um dos mandantes dos crimes.
- Luciano Costa dos Santos - conhecido como "Costinha", foi condenado em 12 de setembro de 2025 a 57 anos de prisão, em regime inicial fechado, por sua participação ativa no planejamento e execução do crime.
- Monalisa Kich Anunciação - foi submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri, que decidiu pela sua absolvição.