Polícia

Justiça absolve Carla Cepollina por morte de coronel do Carandiru

Mulher afirma que assassinato de Ubiratan Guimarães foi crime político

Desde os primeiros depoimentos (como na foto em 2006), Carla afirma inocência
Desde os primeiros depoimentos (como na foto em 2006), Carla afirma inocência Foto : Mario Angelo / AE / CP Memória
A advogada Carla Cepollina, de 47 anos, foi absolvida nesta quarta-feira pela morte do coronel Ubiratan Guimarães, de 63 anos. O júri realizado no Fórum da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, durou três dias e inocentou a acusada por maioria dos votos. A vítima, conhecida por comandar a operação policial que resultou no Massacre do Carandiru, foi assassinada com um tiro no abdome em setembro de 2006, na capital paulista.

Na segunda-feira, primeiro dia do julgamento, Carla foi expulsa do plenário após interromper o depoimento do delegado da Polícia Civil Marco Antonio Olivato, uma das testemunhas do caso. No segundo dia de júri, Carla negou a autoria do crime e chegou a apontar um assessor de Ubiratan, que também já morreu, como o autor do assassinato.

Segundo ela, o coronel foi morto depois que Carla deixou o apartamento dele há seis anos, no dia 9 de setembro. A ré afirmou ter deixado o apartamento de Ubiratan no dia do crime porque ele havia bebido e estava deitado na cama, dormindo. Nos últimos seis anos, a advogada tem afirmado inocência e relatado que a morte de Ubiratan teve motivações políticas. Carla enfatizou durante as cinco horas de interrogatório que o coronel foi morto por envolvimento em um esquema de arrecadação de dinheiro de campanha. Ela não especificou, porém, qual político ou partido seria beneficiado.

Ubiratan ficou conhecido por ter comandado a invasão do Carandiru em 1992, que provocou 111 mortes no Pavilhão 9. Em 2001, ele foi condenado a 632 anos de prisão por comandar o massacre. Em 2006, mesmo ano de sua morte, foi absolvido pela Justiça após recorrer. Ubiratan é o único condenado pelo massacre.


Bookmark and Share