Polícia

Justiça aceita denúncia contra policiais do PR por homicídio qualificado

Réus poderão pegar penas de até 30 anos por ação que resultou na morte de PM gaúcho

A 1ª Vara Criminal de Gravataí, na Região Metropolitana, aceitou denúncia do Ministério Público contra os três policiais paranaenses, responsabilizados pela morte do policial militar gaúcho Ariel da Silva em uma ação repleta de falhas que ocorreu no final do ano passado. Além do brigadiano, uma das vítimas dos sequestradores também foi morta.

Conforme a denúncia do MP, sem avisar as autoridades policiais do Rio Grande do Sul sobre as diligências, os integrantes do Grupo Tigre do Paraná, Alex Olguerd Danielewicz Filho, Cleber Custodio Furquim e João Paulo Heitaro, investigavam uma quadrilha que havia sequestrado dois agricultores do Paraná. Em um veículo sem identificação e vestidos à paisana, por volta da 1h, eles faziam ronda pelo bairro Morada do Vale II em busca do cativeiro. Já o policial militar, residente do bairro e de folga, teria julgado suspeita a atitude dos tripulantes do automóvel e, no caminho de casa, passou a seguir o veículo de moto.

No cruzamento entre a ERS 020 e a rua Sílvio de Freitas, Alex Filho – no banco traseiro – baleou o sargento. Antes de morrer, o PM gaúcho ainda teria disparado uma pistola contra os policiais paranaenses, mas, ainda segundo a denúncia do MP, acertou apenas o veículo.

O promotor Tiago Moreira da Silva, do MP em Gravataí, afirma que a partir desta etapa, novos depoimentos serão tomados pela Justiça e, se levados a júri popular, os três podem receber penas de 12 a 30 anos por homicídio qualificado. “É crime hediondo. Mas ainda haverá uma decisão da magistrada de enviar à juízo e todas as testemunhas do inquérito serão ouvidas novamente”, relata.

Os policiais devem ser notificados formalmente e terão o prazo de dez dias para apresentar a defesa preliminar em relação ao caso. A juíza responsável, Eda Salete Miranda, avaliou que o afastamento dos denunciados do cargo será analisado somente depois que estes oferecerem resposta à denúncia. Procurado pela reportagem, o delegado geral do Paraná, Marcus Vinícius Michelotto, que repudiou a denúncia contra policiais do grupo tático, preferiu não se manifestar no momento.

O Ministério Público dividiu o inquérito e ainda denunciou o delegado da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Leonel Carivali, pelo homicídio qualificado do agricultor Lírio Persch na operação de resgate. Para o promotor Dal Molin Flores, o crime foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, já que Ariel conduzia uma moto e os policiais paranaenses não podiam ser vistos em virtude da película escura instalada nos vidros do carro. O MP sustenta, além disso, que o homicídio foi cometido através de meio que resultou em perigo comum, já que foi utilizada uma metralhadora em via pública e dois tiros acertaram residências próximas.


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