Polícia

Justiça de NH iniciará tradução de processo que pedirá extradição de Sanfelice

Material deve ser entregue ao Ministério da Justiça até o início da próxima semana

A Justiça de Novo Hamburgo encaminhará para a tradução, na tarde desta quinta-feira, o processo que pedirá a extradição do empresário Luiz Henrique Sanfelice, 44 anos. O material deve ser entregue ao Ministério da Justiça até o início da próxima semana. Para o professor de direito internacional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Carlos de Carvalho, é praticamente impossível uma extradição em função da cidadania espanhola de Sanfelice.

Sanfelice foi detido terça-feira em Sevilha. O empresário, condenado a 19 anos e três meses pela morte da mulher, a jornalista Beatriz Helena de Oliveira Rodrigues, de 43 anos, estava foragido do regime semi-aberto desde abril de 2008. Ele possui cidadania espanhola.

Sanfelice foi detido com documentos originais e há informações de que ele trabalhava no mesmo ramo que atuava no Brasil – importação e exportação de calçados. Ele estava sem barba e com um corte de cabelo diferente.

O crime

O corpo de Beatriz foi encontrado carbonizado junto com o carro de Sanfelice, no Santuário Mãe de Deus, em Novo Hamburgo, em 12 de junho de 2004. No primeiro depoimento do empresário à Polícia Civil, ele afirmou que a esposa havia desaparecido no Dia dos Namorados após ambos deixarem a sua residência, na rua Heller, centro de Novo Hamburgo, com destino a uma agência bancária.

No local, o casal teria sacado R$ 1 mil e trocado de carros. Sanfelice disse ainda que o combinado seria almoçarem com um casal de amigos, mas o compromisso foi cancelado e Beatriz não foi mais localizada.

A condenação

Sanfelice foi condenado por cinco votos a dois por homicídio triplamente qualificado, em dezembro de 2006. No julgamento, testemunhas confirmaram a crise conjugal e detalhes da premeditação do crime. Também pesou contra o acusado um arquivo de computador de quatro dias antes da morte com o roteiro pré-elaborado para a realização do assassinato.

A ex-empregada doméstica do casal, acusada de falso testemunho e julgada no processo como cúmplice, foi absolvida, também por cinco votos a dois. O julgamento do empresário durou cerca de 40 horas, divididas em três dias de trabalhos. Sanfelice foi detido e, em março de 2007, transferido para o regime semi-aberto.

A fuga

Sanfelice cumpria pena no Presídio Estadual de Novo Hamburgo quando saiu para trabalhar e não voltou, em abril de 2008. Na mesma semana da fuga, o Tribunal de Justiça do Estado determinou a volta ao regime fechado até ele passar por exame psicossocial.