Polícia

Justiça deve julgar habeas de sargento na próxima semana

Militar diz a advogado que prefere "mofar na cadeia" a dar nomes de pessoas do governo

O sargento César Rodrigues de Carvalho vai permanecer na prisão militar onde está recolhido há uma semana. A Justiça acolheu, no início da noite desta sexta-feira, o parecer do promotor do Ministério Público de Canoas, Amilcar Macedo, mantendo a prisão preventiva do policial, que é suspeito de arapongagem e envolvimento com contraventores na Casa Militar do governo do Estado.

Rodrigues foi preso no dia 3, em casa, na zona Sul de Porto Alegre, e já foi avisado da decisão. Seu advogado, Adriano Pereira, espera agora a resposta a um pedido de habeas corpus impetrado na última quarta-feira na 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado. Ele deve ser julgado na próxima semana.

Depois de conversar por cerca de duas horas com o policial, Pereira disse, no fim da noite, que o cliente não quer condicionar a ações políticas o direito à liberdade. Segundo o defensor, Rodrigues afirmou que prefere "mofar na cadeia" a dar nomes de pessoas do governo "que nada têm a ver com a história". 

Além de suspeito de extorquir empresários de jogos de azar, o militar foi acusado de espionagem política no Sistema de Consultas Integradas da Segurança Pública. Ele afirma que apenas seguia ordens de superiores.

O advogado ainda criticou o promotor Amilcar Macedo por estar divulgando dados, mesmo após ter sido feito um acordo de sigilo sobre as investigações e o depoimento prestado nessa quinta-feira. Pereira referiu-se à informação vazada pelo promotor de que há registro de 50 ligações entre o sargento e o contraventor que o denunciou, há cerca de quatro meses. Segundo Pereira. o relatório sequer foi apresentado pela Promotoria durante o depoimento. 

Já o promotor de Canoas vai requisitar à Companhia de Processamento de Dados do Estado (Procergs) o acesso à caixa postal corporativa do militar. “Ele tentou acessar os e-mails usando o meu computador após o depoimento e não conseguiu”, contou Amilcar Macedo.

O promotor não soube explicar a razão de a caixa postal corporativa ter sido cancelada, nem mesmo se isto ocorreu depois da prisão. Quanto ao serviço de e-mails particular do policial, Macedo disse que também não foi possível acessá-lo na tarde de quinta-feira, quando o sargento depôs à Promotoria.

Entenda o caso


O sargento Rodrigues foi apontado por um contraventor de Canoas como tendo por prática extorquir operadores de caça-níqueis da cidade. Conforme a promotoria, Rodrigues recolhia aproximadamente R$ 5 mil por mês, apenas do denunciante. Imagens que, supostamente, comprovam o crime foram apreendidas e continuam sendo periciadas.

Ele também é acusado de usar uma senha Master de acesso ao Sistema de Consultas Integradas da Secretaria da Segurança Pública para acessar dados de políticos, jornalistas, policiais, advogados e até de integrantes do serviço de inteligência do Comando do Policiamento Metropolitano, responsável pela investigação que resultou na prisão.


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