Polícia

Justiça deve levar um mês para definir se Sanfelice responderá ao processo de extradição em liberdade

Empresário acusado de matar a mulher está preso na Espanha

A Justiça espanhola deve levar cerca de um mês para definir se o empresário Luiz Henrique Sanfelice – condenado por ter matado a mulher em 2004 – responderá ao processo de extradição em liberdade. O defensor dele na Espanha, Agustin del Blanco, fez o pedido logo depois que ele foi capturado em Sevilha pela Interpol, em maio. A decisão será tomada por três magistrados do país, segundo sua advogada no Brasil, Gabriela Michaelsen. Ela disse que Blanco espera que o processo de extradição dure cerca de dois anos.

Sanfelice foi encontrado na Europa, em 4 de maio, sem barba e com um corte de cabelo diferente. O empresário tem cidadania espanhola e portava documentos originais. Há informações de que ele trabalhava no mesmo ramo que atuava no Brasil – importação e exportação de calçados.

Em 21 de julho do ano passado, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) recebeu a informação de que Sanfelice estava na Espanha. Logo depois, a Justiça pediu sua prisão.

O crime

O corpo de Beatriz Helena de Oliveira Rodrigues, 43 anos, foi encontrado carbonizado junto com o carro de Sanfelice, no Santuário Mãe de Deus, em Novo Hamburgo, em 12 de junho de 2004. No primeiro depoimento do empresário à Polícia Civil, ele afirmou que a esposa havia desaparecido no Dia dos Namorados após ambos deixarem a sua residência, na rua Heller, centro de Novo Hamburgo, com destino a uma agência bancária.

No local, o casal teria sacado R$ 1 mil e trocado de carros. Sanfelice disse ainda que o combinado seria almoçarem com um casal de amigos, mas o compromisso foi cancelado e Beatriz não foi mais localizada.

A condenação

Sanfelice foi condenado por cinco votos a dois por homicídio triplamente qualificado, em dezembro de 2006. No julgamento, testemunhas confirmaram a crise conjugal e detalhes da premeditação do crime. Também pesou contra o acusado um arquivo de computador de quatro dias antes da morte com o roteiro pré-elaborado para a realização do assassinato.

A ex-empregada doméstica do casal, acusada de falso testemunho e julgada no processo como cúmplice, foi absolvida, também por cinco votos a dois. O julgamento do empresário durou cerca de 40 horas, divididas em três dias de trabalhos. Sanfelice foi detido e, em março de 2007, transferido para o regime semi-aberto.

A fuga

Sanfelice cumpria pena no Presídio Estadual de Novo Hamburgo quando saiu para trabalhar e não voltou, em abril de 2008. Na mesma semana da fuga, o Tribunal de Justiça do Estado determinou a volta ao regime fechado até ele passar por exame psicossocial.