A Vara de Execuções Criminais de Novo Hamburgo pretende convencer a Justiça espanhola de que Luiz Henrique Sanfelice deve cumprir o restante da pena, cerca de 15 anos, no Rio Grande do Sul. O juiz André Vorraber Costa, que encaminhou ao Ministério da Justiça documento do pedido de extradição que será entregue pelo governo brasileiro à Corte da Espanha, tentará mostrar que Sanfelice é um preso perigoso.
O argumento é que o empresário cometeu um crime hediondo ao assassinar e colocar fogo na ex-mulher, a jornalista Beatriz Helena de Oliveira Rodrigues, em 2004. “Peças do processo do júri foram encaminhadas junto ao pedido de extradição”, disse Costa. Na segunda-feira, Luiz Henrique Sanfelice teve a primeira audiência no Tribunal de Madri, após ser capturado na semana passada. O processo de extradição do empresário pode durar mais de um ano.
O crime
O corpo de Beatriz foi encontrado carbonizado junto com o carro de Sanfelice, no Santuário Mãe de Deus, em Novo Hamburgo, em 12 de junho de 2004. No primeiro depoimento do empresário à Polícia Civil, ele afirmou que a esposa havia desaparecido no Dia dos Namorados após ambos deixarem a sua residência, na rua Heller, centro de Novo Hamburgo, com destino a uma agência bancária.
No local, o casal teria sacado R$ 1 mil e trocado de carros. Sanfelice disse ainda que o combinado seria almoçarem com um casal de amigos, mas o compromisso foi cancelado e Beatriz não foi mais localizada.
A condenação
Sanfelice foi condenado por cinco votos a dois por homicídio triplamente qualificado, em dezembro de 2006. No julgamento, testemunhas confirmaram a crise conjugal e detalhes da premeditação do crime. Também pesou contra o acusado um arquivo de computador de quatro dias antes da morte com o roteiro pré-elaborado para a realização do assassinato.
A ex-empregada doméstica do casal, acusada de falso testemunho e julgada no processo como cúmplice, foi absolvida, também por cinco votos a dois. O julgamento do empresário durou cerca de 40 horas, divididas em três dias de trabalhos. Sanfelice foi detido e, em março de 2007, transferido para o regime semi-aberto.
A fuga
Sanfelice cumpria pena no Presídio Estadual de Novo Hamburgo quando saiu para trabalhar e não voltou, em abril de 2008. Na mesma semana da fuga, o Tribunal de Justiça do Estado determinou a volta ao regime fechado até ele passar por exame psicossocial.
Justiça do Brasil tentará mostrar que Sanfelice é perigoso
Pedido de extradição será entregue pelo governo brasileiro à Corte da Espanha