A Justiça negou na noite desta sexta-feira o pedido de habeas corpus feito pela defesa do ex-andrologista Bayard Olle Fischer, 60 anos. A solicitação, feita pelo advogado criminalista Alexandre Maneghini Ramos, foi negada pela desembargadora Laís Rogéria Alves Barbosa, da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.
A magistrada decidiu manter a prisão, considerando o teor de receptações telefônicas que indicavam a intenção do réu em se desfazer do seu patrimônio e a elaboração de rotas de fuga, além de ter ocorrido a morte de um dos acusados.
Bayard teve prisão preventiva decretada pela 1ª Vara do Júri, na última segunda-feira. O médico, apontado pela Polícia como o mandante do assassinato do vice-presidente do Cremers, o oftalmologista Marco Antônio Becker, em 4 de dezembro de 2008, foi preso na tarde de quinta-feira, no aeroporto Salgado Filho, quando retornava de uma viagem de São Paulo. Ramos classificou de inverídicas as alegações para o pedido de prisão preventiva.
No pedido de habeas, disse Ramos, estão anexados documentos que comprovariam que Bayard não está obstruindo a Justiça e tampouco pretende ir para o Exterior. A documentação comprova que esta na região onde reside e não planejaria fuga alguma.
Inclusive, salientou o advogado de defesa, foi anexado ao pedido de liminar peças do processo assinadas pelo suspeito e seus defensores para comprovar que ele esteve presente em todas as ocasiões em que foi chamado pela Polícia. "O meu cliente sempre foi solícito e compareceu quando chamado pela Polícia", afirmou Ramos. "E nunca negou-se a colaborar com as investigações."
A suposição da fuga para o exterior surgiu, segundo o diretor do Deic, delegado Ranolfo Vieira Júnior, através do monitoramento feito em cima de Bayard. Isso ocorreu, disse o diretor do Deic, após a Polícia ter recebido informações de que ele planejava fugir para o Exterior, aproveitando possuir a cidadania espanhola. O advogado de defesa afirmou que não há plano algum e que essa acusação não faz sentido.
Ramos ressaltou que Bayard fez várias viagens a São Paulo para visitar os parentes que moram na capital paulista. O advogado lembrou que no início do processo, a Polícia reteve os dois passaportes do andrologista, o brasileiro e o espanhol. "Ele não tem nenhum passaporte", revelou. "Qualquer um sabe que não se pode viajar ao Exterior sem esse documento", completou Ramos.
Quanto a informação de que Bayard estaria atuando em clínicas clandestinas na capital paulista, também é refutada por um dos defensores do andrologista cassado. Ramos, que atua com mais quatro advogados, classificou de "leviana" esta acusação, feita pela Polícia. Bayard, salientou o defensor, há muito tempo não está clinicando, pois teve o seu registro cassado pelo Conselho.
Justiça nega pedido de habeas corpus a Bayard Fischer
Médico é apontado como mandante do assassinato do ex-presidente do Cremers