De acordo com o delegado da Polícia Federal de Santana do Livramento, Alessandro Lopes, foi negada a liminar para que o Coronel uruguaio Juan Manuel Cordero Piacentini seja transferido do Centro Hospitalar Santanense para Porto Alegre. O pedido foi feito pela defesa e pelo médico do militar acusado de 11 desaparecimentos e o sequestro de um bebê durante a ditadura na Argentina, na década de 1980.
Manuel Cordero foi preso em Livramento na última terça-feira, 19, após decisão do Supremo Tribunal Federal pela extradição do coronel. Alegando problemas de saúde, foi encaminhado a exames e hoje está internado na UTI. Ele será extraditado para a Argentina, onde responderá aos processos remanescentes da Operação Condor, responsável por desaparecimentos e assassinatos de pessoas opositoras aos regimes militares no Cone Sul.
“Esperamos apenas o desfecho desta questão médica para que seja feita a extradição”, disse o delegado Lopes. No hospital, em Livramento, Cordero está sob custódia de policiais federais. Em fevereiro de 2007, o uruguaio foi preso em Santana do Livramento, na fronteira-oeste gaúcha. Na Argentina, o oficial foi processado pelos crimes cometidos no centro de tortura conhecido como Automotores Orletti, em Buenos Aires.
Neste centro aconteceu um dos grandes momentos de colaboração das forças repressivas do ConeSul, na chamada Operação Condor. Manuel Cordero é implicado no sequestro e tortura de Sara Rita Mendez e no rapto de seu filho, um bebê de poucos dias.
Manuel Cordero também está implicado no rapto, translado para o Uruguai, prisão, tortura, assassinato e sumiço de María Claudia García Irureta de Gelman. Ela era a nora do poeta argentino Juan Gelman, que teve o filho assassinado sob tortura em Automotores Orletti. Ele também é acusado pelo assassinato político do senador uruguaio Zelmar Michelini.
Justiça nega transferência de Cordero para hospital da Capital
Coronel uruguaio acusado de desaparecimentos nas ditaduras do Cone Sul continua em Livramento