Polícia

Justiça impõe uso de tornozeleira eletrônica a professor de Direito investigado por crimes sexuais em Porto Alegre

Suspeito, que nega acusações, é investigado por supostos casos que teriam ocorrido entre 2013 e 2025

O professor de Direito e advogado Conrado Paulino da Rosa foi incluído no sistema de monitoramento eletrônico por tornozeleira, após determinação da Justiça, em Porto Alegre. A Polícia Civil diz que ele é investigado após denúncias de supostos abusos sexuais, e também confirma que o dispositivo já foi instalado, mas não se manifesta sobre caso.

A ordem judicial impede a presença do suspeito em congressos e instituições de Ensino Superior. Também está vetado qualquer contato com as vítimas. Além disso, a decisão inclui retenção de passaporte, proibição de sair de Porto Alegre e recolhimento domiciliar das 20h às 6h.

Desde a última sexta-feira, quando a investigação veio à tona, pelo menos dez mulheres afirmam terem sido vítimas do professor de Direito, em casos que teriam ocorrido, segundo a Polícia Civil, entre 2013 e 2025.

Um inquérito segue em andamento na 2ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). A delegada titular, Fernanda Campos Hablich, enfatiza que não comentará sobre os trabalhos. Entretanto, confirma que houve aumento no número de mulheres que procuraram a especializada.

"Ainda estamos apurando os fatos. Por baixo, temos possíveis dez vítimas que querem falar. A posição que o suspeito ocupa, mesmo que não tenha de fato exercido esse poder, influencia bastante na não-denúncia por parte das vítimas”, disse a titular da 2ª Deam.

Fernanda Hablich também considera que há base sólida na apuração policial. “Sim, já foram colhidos elementos indiciários de materialidade”, pontuou a delegada. As diligências seguem com oitivas de vítimas e testemunhas, além de perícias. O investigado será o último a ser ouvido na 2ª Deam.

Conrado Paulino da Rosa era professor de graduação e mestrado em Direito na Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP) de Porto Alegre. Ele foi desligado da instituição na semana passada.

Leia a nota da defesa do suspeito

A defesa do advogado Conrado Paulino da Rosa informa que ele tem cumprido rigorosamente todas as determinações judiciais e aguarda o regular prosseguimento das diligências conduzidas pela delegacia especializada.

Esclarece que apenas nessa terça-feira (23/09) teve acesso à integralidade do inquérito e segue analisando os fatos nele tratados, que merecem total atenção por parte de todos os profissionais que atuam na causa.

Vale lembrar que o momento é de investigação preliminar, bastante recente, devendo ser respeitados os alicerces do contraditório constitucional, da mais ampla defesa e do sigilo das provas, preservando-se a necessária isenção técnica e a imagem de todos os envolvidos.

Permanecemos à disposição para prestar eventuais esclarecimentos.

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