Um homem de 43 anos considerado liderança de facção no Rio Grande do Sul foi preso em Santa Catarina. O fato ocorreu na quarta-feira, durante a segunda fase da Operação Elísios, que mira suspeitos de envolvimento no assalto a um carro-forte no aeroporto de Caxias do Sul, em junho de 2024.
O criminoso responde pelos apelidos "Vick" e "Bito". Por incrível que pareça, apesar de ter sido condenado a mais de 73 anos de reclusão, ele estava em liberdade condicional desde 2023, sem tornozeleira eletrônica. Quando foi localizado, desfrutava a cidade litorânea de Navegantes.
Vick é proprietário de uma residência no estado vizinho, onde levava um estilo de vida "confortável". Não raro circulava por ruas do município a bordo de um BMW avaliado em mais de R$ 340 mil.
De acordo com a Polícia Federal, Vick não estava armado nem esboçou reação ao ser detido. A ordem era de prisão preventiva, deferida pela 5ª Vara Federal de Caxias do Sul.
Segundo a investigação, Vick organizou a logística do roubo com a obtenção de fuzis e de réplicas de uniformes da polícia. Também teria considerado fazer parte da própria ação armada no aeroporto, ainda conforme a apuração policial, mas mudou de ideia às vésperas do assalto. Mesmo com a desistência, ainda receberia parte dos lucros da empreitada criminosa.
Vick é apontado como um dos líderes da quadrilha oriunda do bairro Bom Jesus, na zona Leste de Porto Alegre, que executou o assalto em Caxias do Sul ao lado da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). Uma de suas bases de atuação é Gravataí, na Região Metropolitana, onde outro suspeito foi baleado após confrontar policiais federais no bairro Morada do Vale III, também na quarta-feira.
Vick ainda é considerado um dos principais assaltantes do RS. Em 2016, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) identificou a participação dele em cerca de 20 ataques com uso de dinamite. Fugiu quatro vezes do sistema penitenciário e, entre 2017 e 2019, esteve recolhido em um presídio federal.
Operação Elísios
A segunda fase da Operação Elísios ocorreu no Rio Grande do Sul e em outros três estados, com a participação de aproximadamente 200 policiais federais. O efetivo cumpriu 17 mandados de prisão preventiva, quatro de prisão temporária e 26 ordens de buscas, além do bloqueio de contas bancárias ligadas aos suspeitos.
Em solo gaúcho, sob o comando do delegado Márcio Teixeira, a ação englobou os municípios de Taquara, Parobé, Gravataí e Caxias do Sul. O restante das diligências foram em São Paulo (SP), Navegantes (SC) e Curitiba (PR).
Assaltante ganha benefício humanitário
Um dos suspeitos de participação no assalto em Caxias saiu da cadeia após receber benefício de prisão domiciliar humanitária. A decisão foi da Justiça Federal, que concedeu a medida em caráter temporário, porque o criminoso passará por uma cirurgia de hérnia de disco.
De apelido Cigano, ele havia sido preso dois dias após o assalto, em Juquitiba, no interior de São Paulo. Desde então, estava na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), de onde saiu por volta das 18h, em 22 de maio.
Cigano é apontado como uma das lideranças da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e seria responsável por coordenar as finanças e a logística de ações do grupo.
Em prisão domiciliar, o assaltante seguirá monitorado com tornozeleira eletrônica pelos próximos dois meses. A medida ainda poderá ter o prazo ampliado conforme a evolução médica do “paciente”.
Crime resultou em assassinato de sargento
O assalto no Aeroporto Hugo Cantergiani aconteceu em 19 de junho de 2024 e resultou na morte do 2º sargento do 12º BPM, Fabiano Oliveira, 47 anos. Na ocasião, os criminosos conseguiram levar quase a metade dos R$ 30 milhões de um banco que chegavam ao terminal e seriam transportados por um carro-forte.
Ao longo do ano passado, a primeira fase da Operação Elísios, foram identificadas 19 pessoas que tiveram envolvimento no caso, sendo que 17 foram indiciadas e outras duas morreram em confronto com a polícia no Rio Grande do Sul e em São Paulo.
No total, 12 suspeitos foram presos preventivamente e um foi detido em prisão temporária. Outros investigados cumpriram medidas cautelares, como o comparecimento na delegacia e em juízo sempre que solicitado, vedação de modificar endereço residencial sem autorização e horário de recolhimento em casa.
Também ocorreu a execução de 12 mandados de busca e o sequestro de 26 veículos. Além disso, a PF ainda representou à Justiça Federal pelo sequestro de 19 contas bancárias e quatro imóveis.
A investigação aponta que faccionados de São Paulo chegaram ao Rio Grande do Sul dias antes do episódio e contaram com o apoio de criminosos gaúchos para a execução do assalto. O plano foi dividido em quatro etapas, sendo planejamento, execução, fuga e exfiltração, que é a transferência ilegal de valores.