A prisão do líder da quadrilha dos explosivos, Vanderley Grehs, 50 anos, no início da tarde desta segunda-feira, foi classificada pelo diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegado Ranolfo Vieira Junior, como uma das mais importantes do ano. O ex-policial militar foi preso ao chegar de carro no estacionamento do edifício onde alugava um apartamento, em Dois Irmãos. Ele foi conduzido à Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. Ao todo, a quadrilha roubou cerca de R$ 2,5 milhões.
Vivendo há cinco meses no centro da cidade como representante comercial, Grehs não levantava suspeitas. Dirigia um carro caro, vestia roupas de grife e nunca deixou de pagar o aluguel do apartamento. Além disso, segundo Ranolfo, ele não andava em companhia de criminosos, sempre se portando como um cidadão respeitável e com dinheiro. “As pessoas da cidade que o encontravam na rua não desconfiariam que era um assaltante”, disse o diretor do Deic. “O apartamento era de luxo e ele não guardava armas na moradia”, acrescentou.
Conforme o titular da Delegacia de Roubos, delegado Juliano Ferreira, a prisão começou a se delinear na última quarta-feira, quando os policiais descobriram que o acusado usava nome falso. Com isso, os agentes teriam começado a trilhar os passos do suspeito. Desde sexta-feira, após descobrirem seu provável endereço, os agentes ficaram de campana. “Hoje (segunda-feira), para nossa sorte, ele entrou no estacionamento e o prendemos”, contou Ferreira. “Ele não reagiu e ainda disse que poderíamos revistar o apartamento, pois não encontraríamos nada.”
A experiência como soldado da Brigada Militar o ajudou no mundo do crime. Seu modo de agir teria sido calculado para confundir a Polícia. O suspeito contou ao titular da Roubos que duas pessoas — ele era uma delas — iam três dias antes para a cidade onde planejavam atacar o banco e faziam o levantamento.
Depois, reuniam a quadrilha e chegavam à localidade minutos antes do ataque. A Polícia já havia percebido que os ataques eram coordenados por alguém com experiência militar. “O fato de colocar vigias com fuzil para monitorar o movimento é típico de quem tem este tipo de experiência”, observou Ferreira.
Grehs foi preso pela primeira vez em 1987, por tráfico de drogas, sendo expulso da BM. Depois disso, foi preso outras vezes, até cumprir pena no Instituto Penal Escola Profissionalizante (Ipep), em Charqueadas, de onde fugiu em 2008. Dois integrantes da quadrilha ainda estão sendo procurados.
O grupo
O grupo criminoso vinha cometendo uma série de ataques contra agências bancárias, caixas eletrônicos e carro-fortes desde o início do ano. Vanderley Grehs, conhecido por Alemão ou Magrão, conseguiu fugir da prisão durante ação da equipe do delegado Juliano Ferreira, da Delegacia de Roubos a Banco do Deic, em Canoas, no último dia 7, após ataque ao BB em Barra do Ribeiro. Porém, o responsável pelos explosivos, o Pedrinho, foi preso em flagrante na ocasião.
Os agentes do Deic estiveram em dois apartamentos alugados e usados pelos dois criminosos no bairro São José, próximo à BR 116, onde foram apreendidos um fuzil, farta munição, colete à prova de balas, jaquetas camuflada e preta, mapas rodoviários, luvas, cerca de R$ 4,5 mil em dinheiro e dois veículos, além de uma Montana e um Peugeot.
Ex-PM, Wanderley Grehs também é acusado de atuar nos ataques contra duas agências bancárias em Triunfo e Farroupilha, em 2008, além de participação no roubo dos malotes de um carro-forte na Caixa Econômica Federal de Garibaldi, no ano passado.
Líder de quadrilha dos explosivos vivia em alto estilo em Dois Irmãos
Bando de Vanderley Grehs roubou cerca de R$ 2,5 milhões de agências bancárias, carros-fortes e caixas eletrônicos