Polícia

"Legítima defesa de PMs", diz delegado sobre morte de homem em surto na zona Norte de Porto Alegre

Câmeras corporais de PMs foram analisadas

Polícia Civil aponta que PMs agiram em legítima defesa em morte de homem na Capital
Polícia Civil aponta que PMs agiram em legítima defesa em morte de homem na Capital Foto : BM / CP

É tratado como legítima defesa o caso envolvendo a morte de um homem em atendimento da Brigada Militar na zona Norte de Porto Alegre. A Polícia Civil aponta que ele estava em surto e avançou contra a guarnição. O fato ocorreu na tarde dessa segunda-feira.

De acordo com o Departamento de Homicídios (DHPP), os PMs foram acionados para atender um caso de violência doméstica no bairro Parque Santa Fé. Ali, uma mulher relatou que o filho era esquizofrênico, estava agressivo e teria usado cocaína, também agredindo-a e ameaçando atentar contra si. Ele foi identificado como Hérick Vargas, de 29 anos.

Dois PMs, sendo um homem e uma mulher, atuaram na ocorrência. Segundo a BM, a dupla foi atacada enquanto tentava resolver a situação com diálogo. Na sequência, foram lançados dois dardos elétricos de um dispositivo não-letal, mas a tentativa de incapacitação neuromuscular não surtiu efeito.

Ainda conforme a corporação, houve luta corporal à beira de uma sacada, onde um dos policiais era empurrado e poderia sofrer queda de aproximadamente três metros. Após o uso do taser, foi efetuado um disparo de pistola na perna, mas a investida teria continuado. Então, outros dois tiros atingiram o tórax. O ataque foi interrompido com um quarto disparo, que teria transfixado a mão e atingido o rosto.

A família do rapaz alega que ele estava desarmado e que houve excesso na ação dos PMs. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado para esclarecer o ocorrido, com prazo de conclusão em até 40 dias.

Análise de câmeras corporais

O delegado Carlos Eduardo de Assis, plantonista do DHPP, aponta que os militares agiram em legítima defesa. Ele tem como base o registro das câmeras corporais dos PMs.

"É óbvio que lamento a fatalidade e me solidarizo com a família. Porém, uma análise técnica das imagens mostra que os policiais agiram dentro do protocolo de segurança. Primeiro, eles tentaram dialogar. Depois, quando o homem em surto avançou, utilizaram o taser não letal. A arma de fogo foi empregada como último recurso, somente após o ataque não cessar. Além disso, não há como afirmar que o disparo no rosto foi intencional, porque a munição era do tipo transfixante. Isso será esclarecido através da perícia”, afirmou o delegado.

Carlos Assis também pontua que, durante o ataque, a arma do PM poderia ter sido tomada. "Entendo que a maioria das pessoas relativize o perigo oferecido por alguém desarmado. Muitos não compreendem que esse homem, além de ser alto e forte, havia ingerido cocaína e estava com ímpeto descomunal. As câmeras corporais mostram que ele poderia ter tomado a arma do PM durante o ataque. Se isso tivesse ocorrido, não tenho dúvidas que dispararia nos policiais ou contra si.”

O delegado adiciona que o morador já havia protagonizado outros episódios do tipo. “A ocorrência mais grave foi em abril, quando esse homem ameaçou o pai com uma faca. Infelizmente, nessa segunda-feira, a situação saiu do controle e os policiais tiveram que usar armas para se defender.”

Nenhum dos PMs foi indiciado, sendo o boletim registrado como morte decorrente de intervenção em ação policial. O caso foi remetido à 3ª Delegacia de Homicídios, que continuará a investigação.

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