No início da tarde, um grupo de manifestantes foi até a Prefeitura da Capital. Eles solicitam uma reunião com representantes do governo municipal. O secretário Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), Omar Ferri Júnior, afirma que vai receber os comerciantes. “Concordamos com o objetivo da ação, mas não da maneira com que foi feita. Nós agora vamos recebê-los (comerciantes) para conversarmos”. Ele diz, no entanto, que a prefeitura não tem ligação com a operação. “A prefeitura não tem absolutamente nada a ver com isso. A operação foi feita pela Receita Federal com o apoio da Brigada Militar”.
Várias lojas da Rua dos Andradas também baixaram as grades com temor um quebra-quebra. O protesto afetou o trânsito na área central, bloqueando o tráfego nas avenidas Júlio de Castilhos, Mauá e Castelo Branco, além das ruas Voluntários da Pátria, Siqueira Campos, Sete de Setembro, Doutor Flores, Alberto Bins e Otávio Rocha. Um motociclista que tentou furar o bloqueio foi derrubado do veículo.
Devido à confusão e aos bloqueios de vias, houve registro de congestionamentos nas avenidas Borges de Medeiros, Loureiro da Silva, João Pessoa, Osvaldo Aranha e Salgado Filho e nas ruas dos Andradas, Duque de Caxias, Riachuelo, Caldas Júnior e Vigário José Inácio.
Os ônibus com embarque e desembarque nas imediações da Voluntários da Pátria foram impedidos de circular. Alguns motoristas, temendo represálias, não se deslocaram para o Centro. Os lotações também circularam precariamente. Muitos permaneceram por mais de uma hora parados nos pontos de embarque, enquanto outros não conseguiam acessar a área central.
Apesar da presença da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), o trânsito ficou caótico. A situação se agravou a partir do final da manhã, quando voltou a chover em Porto Alegre.
Megaoperação fecha prédio do Camelódromo em Porto Alegre
Tudo começou com uma megaoperação da Receita Federal, com apoio do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar (BM) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que fechou o prédio do Camelódromo, no Centro de Porto Alegre. Segundo o comandante do BOE, tenente-coronel Kleber Rodrigues Goulart, a ação contou com mais de 200 policiais e 120 agentes da Receita. "É uma iniciativa nacional e foi denominada de Brinquedo Perigoso", afirmou ao site do Correio do Povo.
Conforme Goulart, em razão da operação frustada na semana passada, a Receita decidiu realizar uma nova investida contra produtos contrabandeados. O comerciante Ricardo Oliveira Costa disse que foi pego de surpresa com a iniciativa conjunta. "A Receita nos ataca desde o mês de janeiro e isso ocorre nas segundas e nas sextas-feiras. Eu quero que a população saiba disso. Existem bancas com produtos ilegais, mas a maioria está se cadastrando. Eles (policiais e Receita) precisam pegar os donos desses locais", disse em entrevista à Rádio Guaíba.
O comerciante relatou que as operações são realizadas com truculência pelos policiais militares (PMs). "Eles simplesmente chegam às bancas e começam a pegar tudo. Eles nem perguntam se tu tens notas dos produtos. Nós sabemos que o choque (polícia) só chega para bater e ameaçar. Nesse País, só paga imposto quem é pequeno", desabafou.
Operação ocorre em sete estados
Segundo a Receita Federal, o objetivo principal da operação é retirar de circulação brinquedos que podem causar danos à saúde da população, especialmente na semana das crianças, período em que tradicionalmente há grande aumento de compras desses produtos.
A operação ocorreu em sete estados: Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. As mercadorias apreendidas serão levadas aos depósitos da Receita Federal ou do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
Comerciantes do centro baixaram as portas com medo das manifestações / Foto: Vinicius Roratto