Polícia

Lutador de jiu-jitsu é acusado de matar e esquartejar tia em São Paulo

Jovem já havia sido preso por matar rival de grupo skinhead a facadas

Fichado na polícia como skinhead e neonazista, um lutador de jiu-jítsu, de 22 anos, é acusado de matar a tia com um mata-leão (usando o braço em torno do pescoço para imobilizar e sufocar a vítima), em São Paulo. Depois, disso, ele teria esquartejado a mulher de 44 anos e escondido o corpo numa geladeira. Dois meses após o desaparecimento da vítima, o pai do acusado desconfiou do sumiço da irmã e chamou a polícia.

Aos policiais militares que o detiveram, o acusado confessou o crime. "Estou arrependido", disse. A Justiça decretou sua prisão por homicídio, por ocultação de cadáver e por desobediência, em razão da fuga.

Não foi a primeira vez que o lutador foi parar na cadeia. Ele passou oito meses atrás das grades em 2011, depois de participar de uma emboscada de skinheads contra punks e de matar a facadas um dos rivais: Johni Raoni Galanciak. O crime aconteceu na frente do Carioca Club, em Pinheiros, zona oeste.  O criminosos foi solto pela Justiça após apelar da sentença de 15 anos. Ele aguardava o julgamento do recurso em liberdade.

Na quarta-feira, o pai do rapaz foi ao apartamento em que o filho vivia com a tia. Queria notícias da irmã. Como o jovem não soube explicar o sumiço, decidiu chamar a polícia. Atendendo à denúncia, os homens do 5.º Batalhão da Polícia Militar foram ao apartamento do acusado. Ao notar a aproximação dos PMs, o lutador entrou em seu Escort preto, que tem nas portas uma cruz de ferro - símbolo militar alemão - e acelerou. Ele dirigiu o carro em alta velocidade até bater em um poste da esquina das Avenidas Julio Buono e Major Dantas Cortes, na Vila Gustavo, na
zona norte.

Ao delegado Milton Gomes de Oliveira, assistente do 39º DP, o acusado disse que a tia era "bipolar" e que "tinha
ataques nervosos". Em um desses episódios, ocorrido havia dois meses, ele afirmou que tentou controlá-la, aplicando um golpe em seu pescoço, que a matou. Reconheceu ter usado "força desproporcional". Segundo o delegado, ele estava desempregado, não tinha renda e morava de favor com a tia. Ele afirmava ter deixado de ser skinhead.

O detido contou que após perceber que a mulher havia morrido, pensou em ligar para a polícia, mas ficou assustado. Disse que saiu de casa, ingeriu bebida alcoólica, até que teve a ideia, no mesmo dia, de ocultar o corpo. Ele afirmou ter usado um facão que tinha em casa para separar a cabeça e os membros do tronco da tia. O objeto, contou, foi descartado mais tarde em uma estrada. Em seguida, removeu as prateleiras da geladeira para guardar todas as partes. A ideia era levá-las, peça por peça, a um sítio da família em Itapevi, na região metropolitana. Só os braços foram levados e, segundo ele, enterrados em um sítio que pertenceu à família dele.

Peritos foram ao apartamento na Vila Gustavo e acharam os restos da mulher em sacos plásticos na geladeira. O tronco estava em uma mala. Foi solicitada perícia no local e no Escort. À tarde, os investigadores foram a Itapevi tentar achar os braços no sítio, sem sucesso.