Na investigação, recorda Diogo, foi destacado que mãe e filho foram vistos pela última vez entrando em um Monza. Desde então, nenhuma informação sobre o paradeiro dos dois foi divulgada. A mulher estaria pressionando o acusado para que ele reconhecesse a paternidade.
A Polícia acabou por chegar ao homem como principal suspeito do desaparecimento após relatos de familiares de Sirlene e de um amigo do acusado ter afirmado que ouviu dizer que ele estava tentando se livrar de qualquer maneira da mulher e da criança da qual seria pai. A esposa do homem afirmou ter tomado conhecimento do caso 30 dias antes de o fato ser divulgado pela imprensa. De acordo com ela, o marido estava disposto a ajudá-los.
Conforme o delegado Diogo, atualmente no Departamento de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado, depois do desaparecimento foram realizadas buscas para encontrar os corpos em vários locais, entre eles uma fazenda localizada em Cachoeira do Sul.
Durante as investigações, foi provado que o homem esteve no sítio naquele sábado com Sirlene e o garoto. "Os dois foram até o local devido ao acusado ter afirmado que queria documentos para reconhecer a paternidade", lembra o delegado. "Consegui várias provas, entre elas o contato que ele fez pelo telefone com a esposa enquanto estava na fazenda", conta Diogo, destacando que o encontro ocorreu às 7h38min de 5 de junho de 2005. Na conversa telefônica, o indiciado pelos crimes teria afirmado à sua esposa que havia levado as crianças para um colégio localizado na Capital.
''Quero que o crime não fique impune'', exige a mãe
A falta de solução para o desaparecimento da comerciante Sirlene de Freitas Moraes e de seu filho Gabriel ainda impressiona o delegado João Carlos da Luz Diogo, que à época comandou a investigação. Um irmão de Sirlene tinha ido junto com ela e o sobrinho até as proximidades de um posto de gasolina, na avenida Baltazar de Oliveira Garcia, para encontrar o homem. Minutos antes de os dois entrarem em um carro, o irmão foi a uma farmácia e, ao voltar, não os encontrou mais. "A Polícia fez seu papel, mas até agora não encontramos nenhuma testemunha que confirmasse onde os corpos foram enterrados", conta Diogo, ao lembrar que a Justiça entendeu que não havia fundamento para a acusação. Segundo ele, o caso está parado e deve ter sido arquivado pelo MP. Na época, acrescenta, o acusado foi solto por meio de habeas corpus.
A mãe de Sirlene, Luiza Freitas de Morais, com 72 anos, diz que só espera justiça pelo desaparecimento da filha e do neto. "Quero que o crime não fique impune", afirma. Um dos irmãos de Sirlene, Delci de Freitas de Moraes, de 40 anos, destaca que a vida praticamente terminou para a família desde os desaparecimentos.