Uma menina venezuelana de dois anos e sete meses foi morta pela mãe de mesma nacionalidade, de 25 anos, e pelo padastro brasileiro, de 36 anos, em junho deste ano no bairro Mato Grande, em Canoas, na região Metropolitana. O motivo seria porque criança fez xixi na cama. A informação foi confirmada no final da manhã desta quarta-feira pelo titular da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, delegado Mario Souza. “É um crime chocante e gravíssimo”, sintetizou. O casal foi preso nessa terça-feira pela equipe do delegado Pablo Rocha, que comanda a Delegacia de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA) de Canoas. A detenção dos suspeitos, com amparo judicial, ocorreu no bairro São Miguel, em São Leopoldo, após terem mudado de endereço por quatro vezes. O indiciamento será por homicídio qualificado.
Após a comunicação de falecimento, a Polícia Civil investigou a causa da morte da menina devido à suspeita de maus tratos e agressão por parte da mãe e do padastro. O casal alegou que a criança havia caído de uma escada. Através dos depoimentos, prontuários médicos e do laudo pericial, os agentes da DPCA constataram que a vítima sofria agressões de forma recorrente, como surras e banho gelado como castigo. O episódio de xixi na cama teria sido o motivo de uma agressão mais contundente. “A morte se deu em virtude de evento de grande impacto”, observou o delegado Mário Souza, ao falar sobre os laudos do Instituto-Geral de Perícias que apontaram lesões abdominais.
A mulher é refugiada da Venezuela, residindo havia nove meses no Rio Grande do Sul. Ela conheceu o companheiro quando estava no abrigo temporário em Canoas. Ela também tem um filho de seis anos, que encontra-se sob a guarda de uma tia depois de ter sido retirado do convívio do casal por medida de segurança. Para o delegado Pablo Rocha, as omissões de informações relevantes para as investigações sinalizavam já desde o início de que algo muito errado havia ocorrido e não um simples falecimento. Várias pessoas foram ouvidas como testemunhas e depois foi traçado inclusive um perfil psicológico dos suspeitos.