Polícia

Médicos são indiciados por morte de adolescente por gripe A no Vale do Caí

Para Polícia Civil, houve negligência e omissão de socorro no Hospital de Montenegro

Dois médicos do Hospital de Montenegro, no Vale do Rio Caí, foram indiciados pela Polícia Civil por homicídio culposo pela morte de um adolescente de 15 anos, vítima de gripe A. O inquérito deve ser encaminhado à Justiça ainda nesta segunda-feira.

Segundo o titular da Delegacia de Polícia do município, delegado Marcelo Farias Pereira, foi constatada negligência e omissão de socorro no atendimento prestado a Paulo Geovani de Souza, que compareceu ao local quatro vezes e não foi internado nem recebeu tratamento com Tamiflu, como recomendou o Ministério da Saúde. O menino morreu em dia 17 de julho.

O delegado ouviu os dois plantonistas que atenderam o jovem nos dias 8, 14, 15 e 16 de julho, além de outros funcionários do hospital e dos pais do jovem, e verificou o prontuário médico do paciente. Pereira relatou que no primeiro dia que buscou a instituição, o adolescente tinha febre e dor de cabeça, sendo medicado e liberado. No dia 14, ele voltou ao local com outros sintomas como dor no peito, nas costas e tosse. Novamente foi atendido e liberado. No outro dia, com dificuldade para respirar, o menino foi amparado pela mãe para chegar ao hospital. Diagnosticado com possível alergia ao medicamento anterior, recebeu outra injeção e foi mandado para casa. No dia seguinte, com o quadro agravado, o rapaz foi medicado com soro na emergência da instituição. Apenas neste dia houve coleta do material para o exame que confirmou, dias depois, a ocorrência de gripe A.

O adolescente passou a noite no local no dia 16, quando o estado de saúde dele piorou. Mesmo levado para a sala de isolamento e ligado a aparelhos, ele não resistiu e morreu. As informações colhidas pelo delegado foram repassadas ao Conselho Regional de Medicina (Cremers), que abriu uma sindicância para apurar possível infração ética. Caso seja confirmada conduta inadequada, é aberto um processo ético-profissional, que pode culminar desde advertências até a cassação do direito de exercer a profissão.

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