As buscas ocorreram também na sede de duas organizações anarquistas na Capital, que seriam responsáveis por articularem algumas das manifestações populares ocorridas desde o início deste ano. “É importante que se recapitule este fato. O inquérito em que foram cumpridos buscas e apreensões ontem teve início no dia 27 de junho. A partir de então, passamos a fazer a investigação. Ela então foi avançando, temos quase uma centena de pessoas ouvidas, tudo dentro do mais absoluto controle jurisdicional da investigação. Como não poderia deixar de ser”, ponderou.
Os ativistas criticaram a ação e reclamaram que livros também foram recolhidos. “Estão tentando transformar militantes em formadores de quadrilha levando livros de estudo e documentos de várias pessoas do movimento. Isso lembra a ditadura. Já que não conseguem atender às reivindicações, estão criminalizando”, criticou um dos integrantes do movimento, Matheus Gomes, estudante e militante do PSTU.
O chefe da Polícia Civil, porém, ressaltou que documentos que podem auxiliar na investigação foram apreendidos. “Não foi apreendido nenhum material político, nenhum livro sobre qualquer tema. Foram apreendidos alguns manuscritos com referências a reuniões, manifestações, organizações de eventos, etc”, justificou. “Nós reconhecemos a legitimidade das manifestações. A orientação que vem do governo é que nos fizéssemos a investigação até o máximo possível com relação aos crimes praticados”, acrescentou.
Cinco pessoas foram indiciadas por dano ao patrimônio público após o protesto da última quinta-feira, no Centro da Capital. Na ocasião, foram depredados o Museu Júlio de Castilhos e a Catedral Metropolitana - prédios tombados. Por isso, haverá ainda indiciamento por crime ambiental. Entretanto, Ranolfo Viera Júnior evitou comentar sobre possível indiciamento por formação de quadrilha.
Ainda ontem, a Secretaria Estadual da Segurança Pública disse que os mandados são instrumentos de averiguação policial e não há qualquer ilegalidade se foram concedidos pela Justiça. O governador Tarso Genro também convidou os líderes do PSol e PSTU para colher relatos sobre o caso. De acordo com o governador, os mandados de busca foram autorizados pela polícia e não tiveram natureza política.
Bloco de Lutas convoca entrevista coletiva
Por causa dos acontecimentos, os líderes do Bloco de Lutas Pelo Transporte Público anunciou uma entrevista coletiva para esta quarta-feira. "Considerando os acontecimentos desta terça-feira, 1o. de outubro, que incluíram a invasão da residência de militantes e de sedes de organizações que o compõem, o Bloco de Luta pelo Transporte Público convoca a imprensa para entrevista coletiva", diz o texto.