O Tribunal do Júri da comarca de Soledade, no Alto da Serra do Botucaraí, estará reunido nesta terça-feira para levar a julgamento o réu, o pecuarista Mairol Batista da Silva, 41 anos, acusado de ser o mandante de uma chacina em que seis pessoas foram assassinadas. O crime ocorreu no dia 7 de julho de 2001, na fazenda Santo Augusto, interior de Soledade.
As vítimas foram o comerciante de Passo Fundo, Augusto Ricardo Ghion, o Marau, 48 anos, a esposa dele, Liamara Ghion, 48 anos, a sobrinha do casal, Ana Marina Cavalli, 15 anos, o capataz da fazenda Olmiro Adelar Graeff, 53 anos, a esposa dele, Nice Graeff, 45 anos, e o filho do casal, Alexandre Graeff, 16 anos. A filha do comerciante, uma adolescente de 13 anos, foi ferida com dois tiros, mas sobreviveu.
O peão da fazenda, Márcio Camargo, com 21 anos na época do crime, era funcionário de Marau e assumiu a autoria da chacina, apontando Batista da Silva como mandante. Na época, o delegado Edson Tadeu Cezimbra, responsável pelo inquérito, indiciou Camargo e o pecuarista pelas mortes. O acusado de ser o mandante chegou a ser preso, mas foi solto e desde então aguarda o julgamento em liberdade.
O crime
O crime teria sido motivado porque o réu não aceitava o fato do pai ter vendido terras da família para Augusto Ricardo Ghion. O peão Márcio Camargo mudou a versão do crime em diferentes ocasiões, mas sempre manteve a acusação de que Mairol Batista da Silva teria sido o mandante.
Camargo revelou na época que primeiro matou a esposa de Ghion, Liamara, a mulher do capataz Nice Graeff e o filho Alexandre Graeff na sede da fazenda. Depois disso, ele esperou a chegada das outras vítimas para cometer os assassinatos. Todos foram mortos a tiros. A única sobrevivente da chacina foi a filha de Marau, que reconheceu o peão como autor das mortes.
O peão foi preso e levado para a Penitenciária Modulada de Ijuí, mas conseguiu fugir. Em 2003, ele foi morto durante uma tentativa de assalto a um bar em Soledade. A sessão do júri no Fórum de Soledade será presidida pela juíza Karen Luise de Souza Pinheiro. A acusação estará a cargo dos promotores de Justiça, Fabiano Dalazen e Tânia Maria Bitencourt, com a assistência do advogado Nereu Lima. A defesa do réu será feita por Osmar Teixeira.
Mandante de chacina em Soledade vai a julgamento
Mairol Batista da Silva teria encomendado morte de seis pessoas na fazenda Santo Augusto