Polícia

Marido confessou ter encomendado morte após oito horas de depoimento

Casal tinha um relacionamento tumultuado e brigava por partilha da herança e imóveis

Entrevista coletiva sobre o crime ocorreu em Canoas
Entrevista coletiva sobre o crime ocorreu em Canoas Foto : Álvaro Grohmann / Especial / CP
Em 48 horas, a Polícia Civil esclareceu o assassinato da corretora de seguros Andressa Reinaldo Ellwanger Friedrich, 25 anos, ocorrido na madrugada de domingo passado em Canoas. O caso teve grande repercussão por ela ter sido morta na frente da filha pequena, mas o desfecho agora foi mais estarrecedor. O próprio marido, de 33 anos, planejou a execução e mentiu que a família havia sido vítima de um assalto.

Dono de uma marcenaria, ele foi preso junto com um funcionário de sua empresa, de 21 anos, suspeito de ser o autor do tiro que matou a jovem. As detenções foram coordenadas pela 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (2ªDPRM) entre a noite de segunda-feira e manhã desta terça, sendo cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e outros dois mandados de prisão preventiva. O marido da jovem prestou depoimento por mais de oito horas e finalmente confessou a trama. Mais dois indivíduos podem ter colaborado com ele e, por isso, as investigações terão continuidade. A pistola calibre 380, usada no homicídio, ainda não foi localizada.

O titular da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (2ªDPRM), delegado Cristiano Alvarez, revelou que já se desconfiava do marido da vítima desde o início pois o assalto relatado diferenciava-se das características habituais dos roubos. Ele citou, como exemplo, o fato do suposto assaltante estar sozinho e com o rosto encoberto, além de permanecer aguardando o regresso da família para casa, situada na Travessa B, no bairro Olaria. Além disso, a vítima estava com a filha, de um ano e meio de idade, no banco traseiro do Cobalt, de cor branca, do casal. Em uma atitude incomum para um ladrão, o homem armado com a pistola mandou que ela entregasse a criança para o marido e manobrasse o carro para fora do pátio. “Como o criminoso saberia que ela dirigia se não fosse alguém conhecido?”, lembrou. Ao sair do carro, a jovem foi baleada na cabeça sem que tivesse esboçado qualquer reação.

Segundo o delegado Cristiano Alvarez, outro indicativo de que a história estava mal contada surgiu quando o Cobalt apareceu abandonado e intacto em Sapucaia do Sul. No interior do veículo ficaram pertences da vítima, como bolsa, dinheiro, documento e celular, além de um chapéu de tradição gaúcha. Outro aspecto que chamou a atenção dos policiais civis foi o momento da fuga com o veículo por parte do autor do crime. Conforme análise de imagens de câmeras de monitoramento no bairro, o criminoso trafegou com calma e até deu sinal de pisca-alerta e aguardou o sinal verde em um semáforo ao invés de ter pressa em sair da região.

O aprofundamento da investigação levou à descoberta de que o casal tinha um relacionamento tumultuado, com separações e reconciliações. Em meio às brigas, observou o titular da 2ªDPRM, havia a questão de interesses em torno da partilha da herança e imóveis do marido com a esposa em caso de rompimento. A existência de um suposto seguro também está sendo apurada. No longo depoimento, o marido da vítima demonstrou frieza. O mesmo comportamento já havia sido constatado no sepultamento dela na manhã de segunda-feira no Cemitério Parque Memorial da Colina, em Cachoeirinha. Na cerimônia fúnebre esteve presente o funcionário dele, que receberia R$ 10 mil pelo assassinato, chegou a dizer “estamos juntos” em um cochicho.

Em Porto Alegre, o secretário estadual da Segurança Pública, Cezar Schirmer, e o Chefe de Polícia Civil, delegado Emerson Wendt, deixaram o Desfile Farroupilha e se deslocaram para Canoas, onde agradecerem o empenho, eficiência, dedicação e trabalho de toda a força-tarefa de policiais civis montada para esclarecer o caso diante da repercussão social.