Polícia

Marido de delegada morta no Rio confessa ter assassinado a mulher

Polícia investiga versão do Marido de que houve um desentendimento para a assinatura do divórcio

O marido da delegada assistente Tatiene Damaris Sobrinho Damasceno Furtado confessou ter feito "uma besteira" ao matar a mulher na quinta-feira. O estudante de direito foi preso em flagrante logo depois de prestar depoimento na Divisão de Homicídios da Capital (DH).

O casal estava junto há cinco anos. O delegado titular Rivaldo Barbosa investiga a versão do marido de que houve um desentendimento para a assinatura dos papéis do divórcio. Outra hipótese está ligada ao seguro de vida que a delegada fez há 15 dias em que os filhos - um adolescente de 17 anos e uma menina de três - são beneficiários.

Para o delegado, o crime foi premeditado já que Furtado usou luvas para mudar a cena do crime. "Ainda é muito cedo para dizer que realmente o crime foi motivado pelo seguro, mas é uma linha de investigação. Encontramos os papéis do divórcio na casa, mas não sabemos se eles estavam ali há mais tempo", afirmou o delegado Barbosa.

Inicialmente, a polícia foi chamada pelo marido que disse ter encontrado Tatiene morta na cozinha de casa, em Realengo, na zona oeste do Rio. Durante depoimento na DH, no entanto, ele entrou em contradição: primeiro sugeriu que o crime teria sido cometido por milicianos, depois que poderia ter sido um latrocínio (roubo seguido de morte) já que a porta da casa teria sido arrombada. Não havia, porém, sinais de arrombamento na casa.

"Ele disse: Doutor, fiz uma besteira", contou o delegado. Na cozinha, o corpo estava cheio de hematomas e sem marcas de tiros ou facadas o que indica que ela lutou para se defender.

"O marido não tinha percepção de tristeza (mas parecia) assustado com tudo que estava acontecendo. Ele saiu às 9h e foi para a faculdade como se nada tivesse acontecido. Foi um ato covarde, cruel, sem o menor escrúpulo", diz.

Pela versão do estudante de Direito, ele apresentou os documentos da separação para Tatiene que teria se recusado a assiná-los e apontado uma arma para o marido. Houve luta corporal, a delegada caiu no chão e o marido disse que colocou um braço no pescoço dela em uma tentativa de desarmá-la com o outro.

Laudo preliminar aponta que a mulher morreu asfixiada - segundo o delegado, ela foi enforcada com uma gravata. Havia um travesseiro perto do corpo e o estudante de Direito contou ao delegado que deu choques no corpo da mulher para tentar reanimá-la.

Tatiene teria sido assassinada entre 4h e 9h. Às 6h, Alessandro Furtado entregou a filha ao transporte escolar e seguiu para a faculdade. "Na faculdade apuramos que foi a aula mais participativa que ele teve na vida", disse o delegado. A polícia só foi acionada às 12h30.

Os policiais chegaram a interrogar uma amante de Furtado, mas o envolvimento dela com o crime foi descartado. O estudante de Direito tem um histórico de violência contra mulheres de outros relacionamentos. Em seu primeiro casamento ele também não trabalhava, era sustentado pela mulher.

Pela morte de Tatiene, o marido será indiciado por homicídio qualificado por asfixia e pode ser condenado a até 30 anos de prisão. Os delegados buscam testemunhas e câmeras de segurança que possam ajudar nas investigações.

Tatiene estava lotada na 36ª Delegacia de Polícia (Santa Cruz) desde agosto. Antes, já tinha passado pela 34ª DP (Bangu) e pela 35ª DP (Campo Grande). A delegada tinha recebido ameaças de milicianos que dominam áreas da zona leste do Rio.