Polícia

Medidas protetivas online somam mais de 11 mil pedidos em 18 meses no RS

Ferramenta da Polícia Civil permite que mulheres solicitem proteção pela internet

DPGV contabiliza 6.069 pedidos feitos pela internet somente em 2026
DPGV contabiliza 6.069 pedidos feitos pela internet somente em 2026 Foto : Alina Souza

O pedido de Medidas Protetivas de Urgência (MPU) online, disponibilizado pela Polícia Civil, já recebeu 11.402 pedidos desde que foi disponibilizado no ano passado no Rio Grande do Sul. O balanço do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV) contabiliza 5.333 solicitações em 2025 e outras 6.069 em 2026.

A ferramenta, que completou 18 meses, foi inaugurada no dia 24 de abril de 2025, com o objetivo de expandir acessibilidade e proteção às mulheres em situação de violência doméstica. Ela permite que a vítima solicite a MPU pela internet, sem precisar se deslocar até uma delegacia para iniciar o procedimento.

Para o diretor do DPGV, delegado Juliano Ferreira, a iniciativa tem sido positiva por facilitar o acesso das vítimas às autoridades e agilizar o atendimento. “Qualquer ferramenta ou serviço colocado à disposição dessa mulher para facilitar a vida dela, para que procure as autoridades e traga o caso ao conhecimento delas, a gente vê como algo muito satisfatório”, afirma.

Segundo Ferreira, a possibilidade de fazer o pedido de casa, do trabalho ou de outro local, amplia as formas de acesso à proteção e também contribui para otimizar o trabalho policial. A demanda presencial, porém, ainda é maior, e o delegado destaca que o atendimento nas delegacias permite um acolhimento mais amplo, com orientações sobre os serviços disponíveis e a rede de apoio.

A solicitação online é considerada importante, segundo ele, para mulheres que não conseguem se deslocar até uma unidade policial, ou que não dispõem de tempo para isso. “A medida protetiva chega até a Polícia Civil e vai direto para o Judiciário. Isso é fundamental para a proteção da mulher, independentemente de qualquer aspecto formal. O importante é o pleito dela para que a proteção comece a acontecer imediatamente”, ressalta.

Desafio é chegar às mulheres que não denunciam

Medida protetiva online | Foto: Alina Souza

Apesar da ampliação dos canais de atendimento, Ferreira afirma que uma das principais dificuldades no enfrentamento à violência doméstica é alcançar mulheres que ainda não procuraram as autoridades, mesmo após sofrerem agressões por meses ou anos.

Para ele, o registro das agressões é fundamental para que o Estado possa agir antes que a violência chegue ao extremo. “Nosso grande desafio hoje é chegar nessa mulher para antecipar a ação desse agressor. O feminicídio é o ápice da violência contra a mulher que, muitas vezes, já está sofrendo há muito tempo”, diz.

Por isso, o diretor do DPGV também ressalta que é fundamental que familiares, amigos e conhecidos consigam fazer a mensagem da Polícia Civil chegar às vítimas, para que elas saibam da possibilidade e da importância da denúncia como forma de prevenção.

Embora avalie positivamente a ferramenta online, o delegado reforça a importância do atendimento presencial, que permite às equipes realizar o acolhimento integral e explicar os recursos disponíveis na rede de proteção. “O registro de agressões às mulheres vem diminuindo e eu vejo isso com bons olhos. O nosso desafio, agora, é combater o feminicídio, que, embora tenhamos um número menor em comparação ao mesmo período do ano passado, ainda assim é muito alto”, completa.

Ferreira relembra que as forças de segurança vêm disponibilizando diferentes serviços para acolher e proteger vítimas, incluindo delegacias especializadas, Salas das Margaridas e canais telefônicos como o 190, da Brigada Militar, e o 180, de atendimento à mulher. Há, ainda, grupos reflexivos voltados a homens envolvidos em situações de violência, em iniciativa que busca atuar na prevenção.

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