Polícia

Medo muda a rotina de moradores de Gramado dos Loureiros

Quatro pessoas já morreram desde que o Banrisul da cidade foi assaltado, na quarta-feira passada

A população de Gramado dos Loureiros, no Norte gaúcho, está convivendo com o medo há uma semana. O município virou cenário de perseguições e tiroteios após ousado ataque ao Banrisul localizado no prédio da prefeitura, na quarta-feira passada. Desde o assalto, quatro pessoas morreram e uma foi baleada. Uma centena de policiais está na região à caça dos bandidos e a rotina dos 2,3 mil moradores mudou completamente.

Ivandra Rossetto, 38 anos, nasceu e se criou na cidade, onde mora com o marido, o filho e a nora em uma propriedade rural na Linha Daer. Ela trabalha no programa da Primeira Infância Melhor (PIM) da prefeitura, mas está de folga desde o assalto, em que os bandidos chegaram atirando, mataram um servidor da prefeitura e balearam o ex-prefeito Alvino Melo Machado, que morreu em um hospital de Passo Fundo. Na frente do Banrisul, há uma agência do Sicredi, em que a irmã de Ivandra trabalha. “Imagina quando a gente soube do assalto, minha irmã lá dentro, a gente não sabia o que fazer”, relata.

No dia 5, um dos bandidos foi morto durante um cerco policial, bem próximo à casa de Ivandra. “Naquele dia, a gente dormiu fora de casa, porque estava muito perigoso”, conta. A moradora diz, ainda, que muitos estão dando comida aos assaltantes para preservar a própria vida. “Teve muito agricultor que deu comida para os bandidos e se batessem na minha casa, eu dava também, depois chamava a polícia. Tenho que pensar primeiro na vida da minha família”, argumenta a mulher.

O único mercado da cidade, no Centro de Gramado dos Loureiros, normalmente é ponto de encontro e conversa fiada, mas não nesta semana, como conta o proprietário, Tiago Loureiro de Melo de 25 anos: “A conversa é pouca, o pessoal que mora na área rural fica de dia em casa e dorme com parentes que vivem no Centro, onde tem mais policiamento”, lembra o rapaz, pai de um menino de 11 meses.

Em uma das perseguições, um policial militar morreu. Na noite de domingo, a viatura em que ele estava capotou na localidade entre Ronda Alta e Três Palmeiras. O soldado Juliano Gubert, 26 anos, seguia um Palio que furou uma barreira da BM, na ERS-324.

As aulas chegaram a ser suspensas em Gramado dos Loureiros. Cerca de 500 alunos das redes estadual e municipal ficarão sem aula nesta semana. O prefeito do município, Antônio João Ceresolli, decidiu suspender as atividades devido ao risco de os ônibus que buscam os estudantes serem atacados pela quadrilha. Ceresolli explicou que os coletivos circulam por vias próximas aos locais em que podem estar escondidos os criminosos. As aulas serão retomadas na segunda-feira. A cada três horas, a Brigada recebe uma denúncia sobre os fugitivos.

Muitos dos moradores procurados pela reportagem da Rádio Guaíba tiveram medo de falar. A esperança de todos é que os policiais consigam prender os assaltantes que permanecem refugiados na cidade para que as aulas sejam retomadas, bem como os serviços municipais, que estão todos paralisados.