O menor foi pego em casa, também em São Bernardo, após uma denúncia anônima feita à Polícia Militar. A corporação disse inicialmente em nota oficial que ele havia confessado o crime. No entanto, acabou liberado depois que seu envolvimento no homicídio foi descartado.
Segundo o delegado seccional de São Bernardo, Waldomiro Bueno Filho, o menor contou que chegou a ser convidado para o roubo, mas não pôde ir - o motivo não foi esclarecido. Também afirmou que um dos suspeitos ligou para ele depois do crime: "O colega telefonou dizendo que tinha dado m*", afirmou o delegado. A mãe do suposto autor do crime foi identificada ainda na noite de quinta e reconheceu o filho em imagens de uma câmera de segurança mostradas pela PM. Ela foi encontrada porque seu carro, um Audi preto, foi usado na ação pelos bandidos.
O crime
De acordo com as investigações, ao menos três homens teriam participado do crime. Eles foram até a clínica odontológica, alegando que precisavam de uma consulta. A dentista estava atendendo uma paciente, mas abriu o portão. Os bandidos anunciaram o assalto.
A paciente ficou vendada durante todo o crime. Ao dizer que não tinha dinheiro no consultório, a dentista forneceu o cartão de crédito e senha, para que eles fizessem um saque em um caixa eletrônico. Após constatarem que a dentista só tinha R$ 30 na conta bancária, eles retornaram ao consultório, atearam fogo na vítima ainda viva e fugiram.
A polícia acredita que um quarto bandido aguardava na frente do consultório, dentro de um Audi preto. Ele desconfia que uma quadrilha especializada em assaltos a consultórios esteja agindo na região. "Temos investigações em andamento, já temos imagens de um dos bandidos e em pouco espaço de tempo vamos tirá-los de circulação", afirmou.
A paciente - cujo nome não foi divulgado - teve a bolsa, o celular e dinheiro roubados. Segundo o delegado, ela não ficou ferida. Em relato à polícia, disse que conseguia ouvir a dentista gritando "não faz isso" e pedindo socorro. "Ela tentou apagar o fogo quando os bandidos fugiram, mas não foi possível. A dentista morreu em menos de três minutos."
Vizinha da vítima, Lindacim de Olivera, de 54 anos, sentiu o cheiro de queimado e ouviu os gritos da dentista. Foi ela quem chamou o Corpo de Bombeiros. "Ouvi alguém pedindo socorro e fui até o portão do consultório ver o que estava acontecendo”.
O consultório funcionava nos fundos da casa da dentista. Ela morava com os pais e uma irmã, que tem deficiência mental. O pai Viriato Gomes de Souza, de 70 anos, afirmou que ela não costumava ficar sozinha em casa no horário do almoço. "Ela ia buscar a irmã na escola, mas, como tinha uma paciente, eu fui com a minha mulher”.
Quando o pai chegou à rua, viu a movimentação na frente de casa. Foi avisado pelos vizinhos da morte da filha. "Quis entrar, tentei reanimá-la, mas já não dava para fazer nada”. Emocionado, ele diz não saber o motivo de tamanha brutalidade. "Ela era uma pessoa boa, sem inimigos. Agora, a gente não sabe o que vai fazer da vida, se continuará morando lá. Espero que ninguém precise passar pela dor que estou passando”. A dentista será sepultada no Cemitério Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.