Polícia

Ministério Público apresenta projeto para identificar sinais de violência extrema entre jovens

Projeto Sin@is foi apresentado durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa

Projeto foi apresentado em audiência pública da Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado
Projeto foi apresentado em audiência pública da Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado Foto : Guilherme Sperafico / Especial / CP

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) apresentou, na sexta-feira (1º), o Projeto Sin@is durante audiência pública na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre. A iniciativa, desenvolvida pelo Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (NUPVE), busca orientar a comunidade escolar e famílias, além de capacitar órgãos da rede de proteção à criança e ao adolescente, com intuito de identificar sinais que jovens podem apresentar antes de episódios de violência extrema.

A conscientização realizada através do projeto envolve profissionais das áreas da Saúde, Educação, Assistência Social e Segurança Pública. Criado no início de 2024, o projeto já realizou mais de 50 capacitações, alcançando 186 municípios e mais de 5,4 mil pessoas.

O coordenador da iniciativa, procurador Fábio Costa Pereira, destacou que a proposta é preparar aqueles que têm contato direto com crianças e adolescentes para perceber os primeiros indícios de radicalização. “Trabalhamos no mundo analógico a prevenção no mundo digital. Muitas vezes, esses adolescentes deixam pegadas claras, mas não temos olhos para ver nem ouvidos para escutar. É preciso que pais, escolas e poder público estejam atentos”, afirmou.

Segundo Pereira, o isolamento social é um dos sinais mais evidentes. “Um adolescente que, numa fase da vida em que busca o reconhecimento dos seus pares, se afasta da família, do meio social e educacional, e mantém apenas relações virtuais, merece nossa atenção”, alertou.

Ele acrescenta que jogos digitais, especialmente os violentos, podem dessensibilizar para a violência ou servir de porta de entrada para abordagens de predadores e radicalizadores, até mesmo quando aparentam ser inofensivos.

O NUPVE criou uma ficha de avaliação que é distribuída às escolas e redes após as capacitações. Quando um caso é identificado, o núcleo trabalha em conjunto com os profissionais da ponta para definir a melhor abordagem e medidas preventivas.

Durante a audiência, a subprocuradora-geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, Josiane Superti Brasil Camejo, ressaltou a importância de demonstrar o trabalho realizado à Assembleia Legislativa e lembrou que o núcleo nasceu após a atuação do MPRS na prevenção do chamado “Abril Vermelho”, em 2023. “Percebemos que não seria possível atuar apenas pontualmente. Era necessária uma atuação permanente, inicialmente focada na prevenção de ataques nas escolas, mas depois ampliada para identificar e monitorar adolescentes em situação de risco”, explicou.

A audiência pública foi promovida pela Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado, presidida pelo deputado Leonel Radde (PT), que fez o convite para a apresentação do projeto. “O mais relevante deste projeto, pra mim, é a quantidade de cidades já atingidas – 186 -, que é um número considerável em um estado que tem 497 municípios. É importante que a gente tenha essa iniciativa junto às escolas, junto às famílias, e que, cada vez mais, as pessoas conheçam o projeto”, disse Radde.

Além do MPRS, diversos órgãos públicos e representações de outros parlamentares também participaram da audiência.

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