O Ministério Público divulgou, na tarde desta quarta-feira, detalhes e áudios (ouça abaixo) da investigação do assassinato do vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) Marco Antônio Becker. Segundo o MP, o ex-médico andrologista Bayard Ollé Fischer Santos seria o mandante do crime e comparsa de um traficante, que está foragido.
Em um dos áudios, um assessor de Bayard, José Roberto Giosca Filho, e o pai de santo Julio Henrique Marques conversam sobre o fato de Bayard ter mandado matar o seu desafeto e mesmo assim ter sido cassado pelo Cremers. Na gravação, um dos homens fala: "Ele quer fechar a clínica, alugar os dois prédios". O segundo responde: "O Bayard? Ah tá, ele está decepcionado. Ele mandou matar o cara e ainda assim foi cassado".
Em outro áudio, Fabiano Silva do Nascimento, o Fio, que pertencia à gangue do traficante foragido e que foi assassinado a tiros no dia 12, fala com um homem identificado como Moisés. Ele cobra o vazamento do caso:
Fio: Alô, quem fala?
Moisés: Quer falar com quem?
Fio: Moisés.
Moisés: É ele.
Fio: Oh Moisés, é o Fio. O homem está indignado, Moisés.
Moisés: O que?
Fio: O homem está indignado, rapaz. Que história é essa que vazou do médico aí, cara?
Moisés: Quem tá falando?
Fio: É o Fio, cara. O homem tá indignado. O Jura tá indignado. Que história é essa que vazou?
Moisés: Quem tá falando?
Fio: É o Fio. Eu estou ficando sem cartão, vou ter que desligar. Eu volto a te procurar, cara.
Moisés: Mas o que houve?
Fio: Tu vazou essa p.., aí, meu.
Moisés: Eu não sei do que tu tá falando.
A denúncia feita pelo Ministério Público contra 12 pessoas, acusadas de participação no assassinato, foi aceita pela juíza Elaine Maria Canto da Fonseca, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, na terça-feira. Foi aberto processo contra o andrologista Bayard, 59 anos, e mais 11 pessoas, indiciadas pela Polícia Civil e pelo MP.
Além das escutas, outros detalhes que levaram o MP a denunciar os suspeitos foram cerca de 140 mensagens de texto de celular trocadas entre os envolvidos. Também foram observados os deslocamentos deles, rastreados pelas antenas dos telefones que utilizavam. O promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim, responsável interino pelo caso, afirmou que não vai pedir novamente a prisão preventiva dos envolvidos. Segundo ele, é evidente que o crime foi motivado pelo julgamento da conduta de Bayard como médico pelo Cremers. Ainda de acordo com o MP, o traficante foragido teria cometido o crime em função de uma dívida de gratidão que teria com o andrologista.
A juíza também levantou o sigilo de Justiça do caso. O traficante, que teria intermediado o crime e está foragido, foi o único a ter a prisão preventiva decretada. Fabiano da Silva do Nascimento também foi indiciado. A polícia investiga se há relação entre a sua execução e o assassinato do vice-presidente do Cremers. Entre os indiciados estão dois médicos, que trabalharam com Bayard, uma ex-assessora do ex-andrologista, e outros que ajudaram na consumação do crime.
Ministério Público divulga áudios do caso Becker
Investigações apontam Bayard como mandante do assassinato do vice-presidente do Cremers