Polícia

Ministério Público do RS denuncia professor de Direito por suspeita de estupro, violência psicológica e cárcere privado

Acusação diz que dez mulheres teriam sido vítimas dos supostos crimes

O advogado e professor de Direito Conrado Paulino da Rosa foi denunciado por supostos crimes de estupro, estupro de vulnerável, violência psicológica e cárcere privado. De acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), à frente da acusação, pelo menos dez mulheres teriam sido vítimas dos delitos. A denúncia está sob a análise do Poder Judiciário.

Em nota, a advogada Fernanda Osório, que faz a defesa do acusado, disse que ainda não teve acesso ao conteúdo da denúncia, mas afirmou ter identificado elementos que podem comprometer a validade do processo. Além disso, no ano passado, quando a Polícia Civil apontou o advogado como suspeito, ele negou tais alegações em texto nas redes sociais. As manifestações podem ser lidas ao final desta matéria.

Conforme o inquérito da 2ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), os crimes teriam ocorrido entre 2013 e 2025. O indiciado chegou a ser preso temporariamente, no dia 26 de setembro, mas deixou o sistema prisional em 25 de outubro, mediante uso de tornozeleira. Ele segue em monitoramento eletrônico.

"Houve mulheres que denunciaram somente depois de terem certeza que ele não estava mais solto e que não representava ameaça para elas. Em crimes sexuais, é comum que as vítimas tenham muito medo e vergonha do agressor”, disse a delegada titular da 2ª Deam, Fernanda Campos Hablich, ao justificar a prisão preventiva, na mesma data, em coletiva feita logo após o cumprimento da medida.

Leia a nota da advogada Fernanda Osorio, que defende Conrado Paulino da Rosa

A defesa de Conrado Paulino da Rosa informa que ainda não teve acesso ao conteúdo da denúncia e manifesta preocupação com a divulgação antecipada de seu oferecimento por meio de canal oficial de comunicação do Ministério Público, considerando que o caso tramita sob sigilo, condição que vincula todas as partes e impõe o dever de resguardar as informações.

Registra, ainda, que no dia de ontem levou ao conhecimento do Juízo a existência de elementos que indicam possível convergência indevida entre parte diretamente interessada no resultado do processo e agentes responsáveis pela investigação, circunstância que compromete a imparcialidade e a lisura da persecução, com reflexos na validade e na confiabilidade das provas produzidas e na própria regularidade do procedimento.

A defesa reafirma sua confiança na atuação serena e imparcial do Poder Judiciário, bem como seu compromisso com o devido processo legal.

Dra. Fernanda Osorio, advogada de Defesa

Leia a nota de Conrado Paulino da Rosa, divulgada por ele nas redes sociais em 2025

Quem conhece minha trajetória de décadas, sabe do respeito que possuo pela minha profissão e como conduzo minha vida pessoal.

Confio que, com a apuração completa, após a minha oitiva e de minhas testemunhas, e a análise da documentação que será apresentada, a verdade dos fatos se sobressairá. Confio no trabalho das Autoridades, pessoas técnicas e idôneas, mas ao menos por ora respeitarei o sigilo da investigação e evitarei qualquer outra forma de exposição desnecessária.

Por fim, não se pode esquecer que investigação não equivale à condenação. Muito menos enquanto ainda não formalizado o contraditório e ampla defesa, de sorte a ferir também a ampla presunção 0 inocência. Repudio qualquer forma de violência contra a mulher e indispensável que haja responsabilidade na divulgação de informações sigilosas sem autorização.

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