Polícia

Ministro da Justiça diz que Polícia Civil é o órgão com legitimidade para investigar homicídios

Luiz Paulo Barreto deu entrevista ao programa Bom Dia Ministro<br />

Segundo ministro, quem investiga é a Polícia Civil
Segundo ministro, quem investiga é a Polícia Civil Foto : Divulgação
O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, afirmou que a Polícia Civil (PC) é o órgão que tem legitimidade para investigar casos de assassinatos. Ele se referia à divergência de versões entre a Delegacia de Homicídios e o Ministério Público (MP) no caso da morte do ex-secretário municipal da Saúde Eliseu Santos. O inquérito policial definiu que o assassinato foi ocasionado por uma tentativa frustrada de assalto de três integrantes de uma quadrilha de roubo a carros.

Após as conclusões da PC, quatro promotores da 1ª Vara do Tribunal do Juri chegaram à conclusão de que essa quadrilha teria sido contratada por outras três pessoas para simular um assalto e matar Eliseu Santos. Em entrevista ao programa Bom Dia Ministro, da Rede Nacional de Rádios, Luiz Paulo Barreto falou que, por lei, quem investiga é a polícia. Para Barreto, o Ministério Público só deve entrar em ação quando existe o envolvimento de policiais civis, ou quando houve omissão.

“Nós defendemos que a polícia tem essa competência. O levantamento das provas, de perícia, é um trabalho muito especializado, e a polícia tem uma preparação nacional para realizar esse tipo de trabalho. Ainda mais em um crime de homicídio, em que a perícia tem um papel fundamental. O Ministério Público poderia ter o poder de investigar, quando o crime envolve policiais ou quando a polícia, por alguma inércia, não atua”, pondera.

Para o ministro, o pior que poderia ter ocorrido é a crise entre as instituições. “Foi um crime comum ou com motivação política? O mais importante nesse momento é unir esforços, em um trabalho que leve à perícia à uma conclusão mais efetiva para que a investigação criminal possa desvendar isso, para que a população de Porto Alegre tenha consciência do que aconteceu nesse caso. O pior é uma briga entre instituições, e que no final de tudo, o crime acabe sem solução”, analisa.

Na denúncia do Ministério Público, os promotores chegam a citar que haveria ligações entre um dos denunciados como mandante do crime, Jorge Renato Hordoff de Mello, com o chefe de investigações da Delegacia de Homicídios. Pedro Diniz é o atual marido da ex-esposa de Jorge Renato, administrador da empresa Reação. A empresa teve o contrato para vigilância nos postos de saúde rompido com a Secretaria Municipal da Saúde por denúncias de pagamento de propina.

O acusado de cobrar os valores é o ex-assessor jurídico Marco Antônio Bernardes, que é acusado pelo MP de se ligar a Mello e o ex-gerente da Reação, Marcelo Machado Pio, para assassinar Eliseu Santos. As defesas dos três negam qualquer envolvimento com o crime.