Polícia

Ministro da Justiça elogia plano de policiamento nas fronteiras do Brasil

Em seis meses, mais de 115 toneladas de drogas foram apreendidas nas regiões

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta terça-feira no Rio, que o controle das fronteiras, esforço conjunto da União e dos Estados, em ações de combate ao crime organizado, tráfico de drogas e de armas e ao contrabando, tem tido êxito, a exemplo do que ocorre na Operação Sentinela, liderada pelo Ministério da Justiça, por meio da Polícia Federal. "Hoje, uma das grandes questões que se coloca é a segurança nas fronteiras, impedir a entrada de armas e drogas. Estamos obtendo números positivos com a Operação Sentinela e vamos fazer concursos para reforçar a região", disse Cardozo, na abertura da LAAD Security - Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa, no Riocentro, que reúne autoridades de países como Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Colômbia, além de representantes de empresas da área de tecnologia, até quinta-feira. "Temos a absoluta convicção de que é preciso estar integrado e atento às novas tecnologias. O crime organizado utiliza instrumentos tecnológicos", afirmou.

Nos seis primeiros meses da Operação Sentinela, em 2011, foram apreendidos 115,3 toneladas de cocaína e maconha, 4,2 mil pessoas foram presas em flagrante, 1,4 milhão de veículos inspecionados e 2 mil veículos apreendidos ou recuperados. De acordo com o secretário da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Airton Michels, a questão das fronteiras envolve também ações com a Brigada Militar (BM) e a Polícia Civil. Segundo ele, até o dia 23, a Secretaria de Segurança deverá enviar projetos ao Ministério da Justiça pleiteando recursos na ordem de R$ 20,1 milhões, dos quais 60% serão destinados à BM, 30% para a Polícia Civil e 10% ao IGP, em ações de contra o tráfico e o abigeato.

Beltrame diz que consolidação das UPPs é desafio

A expansão e a consolidação dos projetos das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) serão tarefas difíceis, disse o secretário da Segurança P[ublica do Rio, José Mariano Beltrame, na abertura da LAAD Security Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa, no Riocentro. Segundo ele, as UPPs contrariam interesses de criminosos que estão instalados nas favelas cariocas há décadas.

Casos de violência como os confrontos na Rocinha, que resultou na morte de um PM, e confrontos no Morro do Alemão, mostram que quadrilhas armadas continuam atuando nos territórios ocupados pelas forças de segurança. Segundo ele, o projeto mais recente é sempre o mais difícil. “Não há UPP fácil. Não há nada fácil no projeto. Não vamos conseguir mudar uma realidade histórica em meses. Se vai ser difícil (consolidar novas UPPs)? Tenho certeza que vai ser difícil, porque mexe com interesses que estão instalados ali historicamente”, disse Beltrame. “A Polícia entrou nestes lugares há cinco meses e a área estava sobre domínio do tráfico há 30, 40 anos”, completou.

O projeto das UPPs prevê a instalação dessas unidades em cerca de 40 áreas, que incluem mais de 150 favelas do Rio. O governo já instalou 19 UPPs em cerca de 60 comunidades. O Complexo do Alemão, que está ocupado pelo Exército e pela Polícia Militar desde novembro de 2010, e a Rocinha, ocupada pela PM desde novembro de 2011, devem ganhar UPPs ainda neste ano. De acordo com o secretário, a primeira fase consiste na tomada dos territórios, trazendo mais segurança às comunidades, para depois serem ofertados serviços, a exemplo do que já ocorre no Morro Dona Marta. “Quanto mais levarmos ações sociais, menos a Polícia se fará presente”, completou.

Segundo ele, a função precípua de uma Polícia Pacificadora é assegurar o direito de ir e vir em uma comunidade. Beltrame assegurou que o projeto das UPPs seguirá em outras comunidades. “Nós não vamos desistir ou mudar esse programa. O que podemos é intensificá-lo. Estamos atentos para que, cada vez mais, a população sinta-se à vontade com a Polícia ali e que as coisas melhorem. Agora, acabar com o tráfico e com a violência é algo que, creio, ninguém pode garantir. Temos que ficar vigilantes e consolidar esse processo para daí avançar a outras áreas", disse.

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