Leia mais sobre o confronto nas favelas do Rio de Janeiro
Samara acredita, contudo, que traficantes ainda estejam infiltrados em meio a trabalhadores. "Nada é 100% ainda, a limpeza não foi completa, não." A estudante carioca também ressaltou que a presença do Estado, em ações como construção de creches e a criação de áreas de lazer para crianças, ainda é insuficente: "Falta bastante, e não deixamos as crianças na minha família chegar perto de alguns lugares. O Estado é ausente".
De acordo com a moradora do Complexo do Alemão, a corrupção na polícia é presenciada historicamente pela comunidade. "Acho que estes policiais corruptos não terão mais a quem recorrer, não. Além de eles estarem combatendo o caos da bandidagem, a corrupção pode parar", afirmou Samara. "Mas agora o momento é de paz, podemos caminhar tranquilos, o comércio voltou a funcionar, todo mundo está indo para a escola."
UPPs são essenciais para evitar tráfico, analisa major da Brigada
Durante o programa Guaíba Revista desta terça-feira, o major da Brigada Militar Adriano Klafke, ex-morador do Rio, que estudou a segurança carioca entre 2005 e 2008, se referiu a um "vazio de república", como aspecto decisivo para o descontrole nas favelas. "Não existem serviços públicos, há pouca assistência disponível à comunidade, e quando muito, ações episódicas policiais. Isto não se sustenta. Mesmo agora, por mais forte que seja a ação policial, se não seguirem o modelo das Unidades de Polícia Pacificadora, a tendência é o retorno da repressão do tráfico", projetou.