Aposentado, ele relata que no local há adultos, jovens, crianças e até mulheres grávidas utilizando drogas. “Tem sempre umas 20 pessoas na esquina. Não dá mais para passar na rua. Eles ameaçam os moradores. É uma situação insustentável para a comunidade”, desabafa. A reportagem do Correio do Povo chegou a ser assediada por um homem no local.
Responsável pelo Território de Paz, o major José Carlos Pacheco, do 1º BPM, explica que trata-se de um problema muito mais social do que policial. “Realizamos diversas prisões no local por posse de drogas, mas estes presos logo são soltos”, justifica. Para o oficial só a ação policial não irá resolver a atual situação. De acordo com ele, essas pessoas não frequentam a região somente pelo uso de drogas. “Há moradores que dão comida e roupas para essas pessoas. Isso acaba motivando a permanência delas no local”, constata.
Disputas por bocas de fumo são frequentes
Devido ao narcotráfico, a área também é cenário de assassinatos decorrentes da disputa pelas bocas de fumo. Esses confrontos motivaram, por exemplo, uma operação conjunta da Brigada Militar e Polícia Civil em maio, quando cerca de 140 policiais ocuparam a região da Grande Cruzeiro e efetuaram cinco prisões, além do recolhimento de 2,2 quilos de cocaína, porções de maconha, cerca de R$ 5 mil em dinheiro, um revólver calibre 32 com 18 munições, cadernos com anotações da movimentação financeira do narcotráfico e um Fiat Palio Weekend.
Já na quarta-feira passada, a PC realizou a prisão de 11 pessoas, com o objetivo de desarticular as gangues com atuação na região. Na ocasião, também foi apreendido armamento. A investigação foi baseada em 14 assassinatos que ocorreram na Vila Cruzeiro.