O delegado de Homicídios, Rodrigo Bozzetto, acredita que o assassinato do vice-presidente do Cremers, o oftalmologista Marco Antônio Becker, foi um recado aos outros membros do Conselho, além de forte inimizade entre o andrologista Bayard Ollé Fisher, apontado pela Polícia Civil como o mandante do crime, e Becker. Bozzetto lembrou que o oftalmologista tinha forte influência no Cremers e no dia 11 de dezembro de 2008 seria julgada a cassação do andrologista. Para o delegado, foi um recado muito claro: "um conselheiro já tinha ido e não era qualquer um", disse Bozzetto. "Mas uma figura importante dentro do Cremers". Apesar da acusações, em nenhuma das gravações aparece a voz de Bayard. Nem nos torpedos trocados há ligação do celular do andrologista com alguns dos suspeitos.
Ontem à tarde, Bozzetto quebrou o silêncio de quase um ano a respeito do caso, imposto pelo sigilo de Justiça, pedido pelo próprio delegado. O policial afirmou ter ouvido o nome de Bayard ainda na cena do crime, quando três policiais comentaram a possibilidade dele estar envolvido, além de outros nomes, que foram mencionados no local. A partir desse momento, as investigações começaram em ritmo frenético.
No sábado - o crime ocorreu em uma quinta-feira -, alguns suspeitos já estavam sendo monitorados, apesar de um leque enorme. "Seguimos três linhas de investigação, profissional, jogo e pessoal", disse Bozzetto. "E foi nesse momento que entendemos a necessidade do sigilo", disse, comentando que "investigação policial não pode ser comparada a uma novela, onde todas as noites se leva ao ar o que ocorreu durante o dia".
Passados três ou quatro meses de investigação, a linha que ligava o andrologista ao crime foi ficando mais forte. Segundo Bozzetto, como as provas testemunhais seriam difíceis, a Polícia voltou-se para a prova técnica, analisando ligações e conseguindo a quebra das Estações Radio-Bases (Erbs), que deram a localização onde os suspeitos estavam. Tanto que em um dos rastreamentos, ficou claro que Bayard e Moisés Gugel - outro indiciado pela Polícia -, um ex-assessor do andrologista estavam em uma marina em Porto Alegre, quando Gugel recebeu alguns torpedos de Jura, acusado pela Polícia de ser o intermediário entre os criminosos e Bayard. Além disso, os policiais descobriram que no dia do crime, Bayard passou pelo menos três vezes pelo local do crime.
"Em buscas que fizemos, no escritório de Bayard, em Porto Alegre, encontramos em uma sala vários recortes de jornais sobre o caso Becker, com as matérias que citavam a moto sublinhadas", contou Bozzetto. "E mais uma pasta, onde estava escrito 'depoimento caso Becker - PC', onde tinha um roteiro caso ele fosse convocado a depor, além de R$ 20 mil em dinheiro", relembrou Bozzetto.
Durante o inquérito, foram geradas 43 representações ao poder Judiciário, 20 cumprimentos de busca e apreensão, 26 interceptações telefônicas e 75 quebras de sigilo de telefones, 132 pessoas ouvidas, além de 20 CDs de áudio e 9 de imagens. O inquérito tem 2.174 páginas, com um segundo tomo com 2.050 páginas. "Tivemos a ajuda da SSP, que nos forneceu um software para podermos fazer o cruzamento de cerca de 300 mil números de telefones", disse.
Morte de Becker seria um recado aos outros membros do Cremers
Delegado também acredita que crime tenha ligação com inimizade entre o vice-presidente e Bayard Fisher