O ex-prefeito José Fogaça (PMDB) e o deputado federal Mendes Ribeiro Filho (PDT) estão em São Borja discutindo a aliança entre os partidos para a corrida ao Piratini e participando de homenagens a Leonel Brizola, fundador do PDT. Mas, entre as conversas, uma preocupação: como tirar dos sapatos duas pedras que devem incomodar durante a campanha ao governo do Estado.
A primeira delas, e que envolve diretamente a figura de Fogaça enquanto prefeito de Porto Alegre, é o caso Instituto Sollus. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal investigam o desvio de aproximadamente R$ 10 milhões do Programa de Saúde da Família, que era gerido pelo Instituto Sollus, de São Paulo. A Justiça Federal autorizou a quebra do sigilo bancário e fiscal de José Fogaça durante a época em que a fraude ocorreu. Conforme o secretário municipal de Gestão, Clóvis Magalhães, as informações foram todas repassadas aos inquéritos, e sempre foi garantida a lisura do processo, mas ainda surgem especulações que causam incômodo, já que a campanha deve ser mais pautada pela administração de Fogaça na prefeitura do que na plataforma de governo.
O outro pedregulho é a morte do ex-secretário de Saúde, Eliseu Santos, ocorrida em 26 de fevereiro. Enquanto a tese da polícia civil é de que se tratou de um latrocínio, quando a vítima é morta em virtude de roubo, o Ministério Público estuda, por meio de indícios nas escutas telefônicas, a possibilidade de um homicídio encomendado.
O secretário Clóvis Magalhães, que se despede do governo municipal no próximo dia 30 para participar da coordenação da campanha do PMDB, sabe que Fogaça irá perder mais tempo dando explicações do que mostrando os projetos para o Rio Grande do Sul para os próximos quatro anos. Mas, ele ainda tem esperança de que isso não ocorra. "O Rio Grande merece refletir sobre ideias, projetos, iniciativas de um governo para geração de emprego e renda. A pretensão de trazer isso como um elemento ao processo eleitoral é desrespeito ao Rio Grande", dispara.
As investigações sobre o caso Sollus permanecem em segredo de Justiça. As relativas à morte de Eliseu Santos não estão em sigilo. Até o início da próxima semana, a promotora deve encerrar a audição das escutas feitas dos oito denunciados pela morte do ex-secretário, e ouvir novamente algumas testemunhas.
Morte de Eliseu Santos e caso Sollus preocupam organização da campanha de Fogaça ao Piratini
Pré-candidato está em São Borja discutindo aliança com o PDT