Polícia

Morte de Eliseu teria sido motivada por vingança, diz MP

Perda de cargo e fechamento de empresa seriam as principais razões

Morte de Eliseu teria sido motivada por vingança, diz MP
Morte de Eliseu teria sido motivada por vingança, diz MP Foto : Leandro Cabral
A denúncia apresentada pelo Ministério Público sobre a morte do secretário da Saúde Eliseu Santos diz que o crime foi motivado por vingança. De acordo com o órgão, um dos suspeitos teria perdido um cargo em comissão junto à Secretaria comandada pela vítima. Além disso, outros denunciados teriam sido prejudicados pelo fechamento da empresa de vigilância e segurança Reação. O contrato teria sido interrompido junto à Saúde municipal, deixando, em consequência, dívidas aos proprietários. Conforme o MP, o assassinato de Santos deve ser tratado como homicídio qualificado. A denúncia foi recebida nesta quinta-feira pela juíza Elaine Maria da Fonseca, da 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri de Porto Alegre. Também foi concedido, a pedido dos promotores, o fim do segredo de Justiça no caso.

Eliseu Santos, 63 anos, foi assassinado na noite de 26 de fevereiro, no bairro Floresta. De acordo com a Promotoria, o crime foi cometido por motivo torpe, com a utilização de meio que pode causar perigo comum, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e para assegurar a impunidade em outro crime. A promotora Lúcia Callegari denunciou oito pessoas pela morte do secretário, sete delas por homicídio. "São pessoas ligadas a uma empresa que prestava serviço de vigilância e cuja relação foi discutida em CPI pela Câmara de Vereadores", revelou. O Ministério Público realizará uma entrevista coletiva nesta segunda-feira para fornecer mais detalhes sobre o caso.

No mês passado, um inquérito do Departamento de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil concluiu que o crime foi latrocínio (roubo seguido de morte) e descartou a hipótese de execução. Fernando Krol, de 21 anos, conhecido como Alemão, e Eliseu Pompeu Gomes, de 22 anos, estão presos provisoriamente por suspeita de envolvimento no crime. Eles supostamente pertencem a uma quadrilha de roubo de carros de São Leopoldo que realizava assaltos em Porto Alegre.

O crime

Eliseu Santos entrava em seu veículo após deixar um culto religioso, acompanhado da mulher e da filha. Segundo testemunhas, ele foi abordado por um grupo de criminosos em um Vectra preto. Santos estava armado e trocou tiros com os bandidos. A polícia havia descartado a hipótese de execução por fatores como o local dos tiros (no peito e na canela), o tipo de veículo utilizado e a abordagem (um Vectra, no qual os criminosos trafegavam sem esconder o rosto) e o local do crime (onde o carro estava, e não em frente à igreja da qual o secretário saía).

O delegado titular do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil, Ranolfo Vieira Júnior, mantém sua posição sobre o crime. “Com o que analisamos, nós temos a convicção de que se trata de um crime patrimonial. Mas desconhecemos a peça do Ministério Público. Eles podem ter trazido alguma informação nova”, explicou em entrevista ao programa Guaíba.com, da Rádio Guaiba.

Vieira argumentou que, a partir das informações coletadas pela perícia na cena do crime e das características do assassinato, tratava-se de um latrocínio (roubo seguido de morte). O delegado esclareceu que o Deic não se pronunciará oficialmente sobre o assunto enquanto não tiver acesso à denúncia do MP e o inquérito for mantido sob segredo de Justiça.