Polícia

Motociclistas representam 70% dos condutores mortos em acidentes

Balanço da EPTC revela que de 84 das vítimas fatais, 38 dirigiam motocicletas em 2025

Ao todo, 45 pessoas morreram no ano em acidentes envolvendo motocicletas
Ao todo, 45 pessoas morreram no ano em acidentes envolvendo motocicletas Foto : Renê Almeida / Especial / CP

A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) divulgou o balanço parcial dos sinistros de trânsito, com morte, registrados em Porto Alegre em 2025. O levantamento, elaborado com base nas análises do Programa Vida no Trânsito (PVT), aponta que comportamentos de risco, como o avanço de sinal, o excesso de velocidade e a condução sem habilitação regular, seguem entre os principais fatores associados às mortes nas vias urbanas da Capital.

Porto Alegre registrou, entre janeiro e dezembro de 2025, 83 sinistros de trânsito com morte nas vias urbanas, resultando em 84 vítimas fatais, número de óbitos igual ao registrado no ano anterior. O perfil das vítimas revela que os condutores representam 64% das mortes (54 óbitos), seguido pelos pedestres com 29% (24 mortes) e por ocupantes de veículos (carona), com 7% (seis mortes).

O levantamento também evidencia o forte impacto das motocicletas nas ocorrências com morte registradas no período, com participação em 45 vidas perdidas, 53% dos casos. Do total de óbitos, 38 eram motociclistas, o que representa 45% das mortes e 70% do total de condutores. Além disso, esse tipo de veículo esteve envolvido em outras sete mortes, considerando o atropelamento de seis pedestres e a morte de um ocupante.

“Embora o cenário ainda seja preocupante, Porto Alegre conseguiu frear a curva de crescimento das vítimas fatais no trânsito ao longo dos últimos anos, o que demonstra que as políticas públicas adotadas vêm produzindo resultados concretos. Atualmente, a cidade ocupa a segunda posição entre as capitais brasileiras com menor taxa de mortes no trânsito por 100 mil habitantes, um indicador relevante, mas que não permite acomodação", destaca o diretor-presidente da EPTC, Pedro Bisch Neto.

Outras medidas também devem ser implementadas. "Para avançarmos ainda mais, é fundamental intensificar a integração entre tecnologia, fiscalização rigorosa e ações educativas, promovendo a adoção de uma conduta mais prudente e responsável ao dirigir, pois somente com a colaboração de todos será possível melhorar esses números”, acrescenta Bisch Neto.

Entre os condutores de motocicletas mortos, 13 eram vinculados à atividade de motofrete, sendo que sete estavam trabalhando no momento da ocorrência e seis estavam fora do trabalho. Outras 16 vítimas não eram motoboys, o que evidencia que o problema está associado principalmente a comportamentos de risco no uso cotidiano da motocicleta como meio de transporte. Não foi possível obter informações sobre outras nove vítimas motociclistas.

A idade média das vítimas em geral é de 40 anos. Mas entre os condutores de motocicleta mortos, a média cai para 32 anos, uma das mais altas dos últimos cinco anos, o que indica maior exposição ao risco entre adultos jovens.

Ainda entre os condutores mortos, também perderam a vida nove ciclistas, seis motoristas de automóvel e um condutor de patinete.

Entre o total de 24 pedestres mortos, dez (42%) foram atropelados por automóveis, sete (29%) por ônibus, seis (25%) por motocicleta, e um (4%) por trator. Os dados reforçam a exposição dos usuários mais vulneráveis e a necessidade de ações específicas de fiscalização, engenharia e educação para reduzir atropelamentos e colisões graves.

Com 17 vidas perdidas, os idosos correspondem a 20% das vítimas fatais, sendo a maioria, em 13 casos (76%), em razão de atropelamento.

A distribuição geográfica indica maior concentração de sinistros com morte nas regiões Sul (39%), Leste (27%) e Norte (24%) da cidade, com destaque para vias arteriais de grande fluxo, como as avenidas Bento Gonçalves, com seis mortes; Cavalhada, com quatro; e Edgar Pires de Castro, Ipiranga, Juca Batista e Protásio Alves, com três mortes cada. A única via com um sinistro que resultou em duas mortes foi a avenida Edvaldo Pereira Paiva, onde ocorreu a morte de dois ciclistas, no início do ano passado, na Área de Lazer.

Fatores de risco - A análise dos sinistros fatais de 2025 já investigados aponta que o desrespeito à sinalização viária, especialmente o avanço de sinal de pare ou semáforo, foi o principal fator de risco identificado. Também se destacam como condutas recorrentes a velocidade excessiva ou inadequada, a condução sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) regular, a alcoolemia e o trânsito ou conversão em locais proibidos. Ao todo, 25% dos sinistros envolveram pelo menos um condutor sem habilitação regular.

Embora seja de difícil comprovação objetiva nos levantamentos técnicos e periciais, especialmente nos casos com vítimas fatais, o manuseio de telefone celular ao dirigir é um comportamento perceptível e amplamente reconhecido como um importante fator de risco, por provocar distração visual, manual e cognitiva. Estudos de segurança viária indicam que essa distração reduz significativamente o tempo de reação do condutor e aumenta a probabilidade de erros, o que reforça a necessidade de ações permanentes de conscientização e fiscalização.

Os indicadores relacionados à alcoolemia e ao uso de substâncias seguem em apuração, mas o diagnóstico já permite direcionar políticas públicas de prevenção, com foco na mudança de comportamento dos usuários das vias.

“Cada morte no trânsito representa uma perda irreparável e reforça a necessidade de mudança de comportamento. Por isso, promover a conscientização dos condutores sobre os riscos do desrespeito à sinalização, especialmente o sinal vermelho, não é apenas uma obrigação legal, mas uma atitude de prudência, responsabilidade e compromisso com a preservação da vida”, conclui Bisch Neto.

Desde 2012, Porto Alegre integra o Programa Vida no Trânsito, coordenado pelo Ministério da Saúde, realizando a análise sistemática de todos os sinistros fatais. O objetivo é identificar fatores e condutas de risco e, a partir deles, subsidiar ações de educação, planejamento urbano e fiscalização, visando à redução de mortes e à preservação de vidas no trânsito.

Os dados são parciais, pois, por definição técnica e normativa, são consideradas mortes no trânsito aquelas ocorridas até 30 dias após o sinistro, em decorrência direta das lesões sofridas. Esse critério, adotado nacional e internacionalmente, segue recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), e assim os indicadores podem ser revisados posteriormente à medida que as informações são consolidadas.

Os demais dados do levantamento parcial podem ser conferidos no site da repartição.

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