Polícia

Motorista dormiu ao volante em acidente com ônibus que matou mulher na freeway, conclui Polícia Civil

Inquérito descartou falha mecânica e indiciou condutor por homicídio culposo e lesões corporais culposas após tombamento

Veículo tombou na altura do quilômetro 42, em Glorinha, no início de junho
Veículo tombou na altura do quilômetro 42, em Glorinha, no início de junho Foto : Alina Souza

A Polícia Civil concluiu que o motorista do ônibus que tombou na BR 290 (freeway), em Glorinha, no início de junho, dormiu ao volante antes do acidente que matou uma passageira e deixou outras 11 pessoas feridas. O inquérito foi finalizado na última sexta-feira e encaminhado ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) com o indiciamento do condutor por homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal culposa.

A informação foi confirmada pelo delegado Alexandre Fleck, responsável pela investigação. Segundo ele, a conclusão é resultado da análise conjunta de provas periciais e testemunhais, que afastaram a hipótese de falha mecânica inicialmente apresentada pelo motorista. "Tudo indica que ele dormiu ao volante. A perícia não constatou nada de errado com o ônibus e a mecânica estava em perfeito estado", afirmou o delegado.

Logo após o acidente, o motorista havia relatado à Polícia Civil que ouviu um "forte estouro" seguido de uma vibração no eixo traseiro, versão que levou os investigadores a considerar, em um primeiro momento, a possibilidade de uma pane mecânica. No entanto, os laudos periciais descartaram qualquer defeito no veículo.

Segundo Fleck, outro fator decisivo foi a dinâmica do acidente. Conforme a investigação, o ônibus percorreu um longo trecho desviando lentamente para o acostamento, sem qualquer reação do motorista. "Ele se arrastou pela lateral da pista por um bom tempo, sem qualquer sinal de frenagem ou outro movimento que indicasse uma tentativa de desviar, até tombar", explicou.

Tacógrafo e testemunhas reforçaram conclusão

Além da perícia, depoimentos de passageiros foram considerados fundamentais para o encerramento do inquérito. De acordo com o delegado, duas testemunhas relataram que não ouviram qualquer barulho que indicasse falha mecânica. Uma delas ocupava a poltrona número 1, na parte dianteira do ônibus, com ampla visão da pista.

Segundo os relatos, o coletivo foi saindo gradualmente da faixa de rolamento até atingir o guard-rail, sem que o motorista realizasse qualquer manobra para retomar a direção.

Outro elemento apontado pela investigação foi a análise do tacógrafo. O equipamento indicou que o ônibus trafegava com o piloto automático acionado a cerca de 90 quilômetros por hora e só reduziu a velocidade no momento do tombamento.

A Polícia Civil também ouviu uma testemunha que afirmou que, logo após o acidente, o motorista deixou o veículo perguntando repetidamente "o que aconteceu?". "Foi uma investigação que se utilizou de provas técnicas e testemunhais e que ficou bem à margem de dúvidas, sem outra conclusão possível", resumiu Fleck.

Relembre o caso

O acidente ocorreu por volta das 22h20min do dia 6 de junho, no quilômetro 42 da freeway, em Glorinha, no sentido Litoral-Capital. O ônibus fazia a linha entre Curitiba e Porto Alegre quando saiu da pista e tombou às margens da rodovia.

A passageira Cleuci Isabel Melo Brum, de 68 anos, morreu. Outras 11 pessoas ficaram feridas. Ao todo, 13 ocupantes estavam no coletivo. Com a conclusão do inquérito, o caso passa agora à análise do MPRS, que decidirá sobre eventual oferecimento de denúncia contra o motorista.