Polícia

Motoristas de aplicativo protestam contra morte de colega em Porto Alegre

Rafael Gardini Gomes, 35 anos, foi baleado em assalto na tarde de sexta

Motoristas querem que empresa não aceite mais pagamento em dinheiro
Motoristas querem que empresa não aceite mais pagamento em dinheiro Foto : Ricardo Giusti
Os motoristas do aplicativo Uber realizaram no final da manhã deste sábado uma carreata de protesto pela morte do colega Rafael Gardini Gomes, 35 anos, baleado em assalto na tarde de sexta-feira em Porto Alegre. Eles foram até a representação da Uber na avenida Padre Cacique, onde mantiveram o buzinaço para chamar a atenção. O trânsito ficou congestionado no trecho. A manifestação começou logo após o sepultamento do colega ocorrido no Cemitério Ecumênico João XXIII, no bairro Medianeira. Abalada, a família da vítima não quis pronunciar-se durante o velório e enterro. Rafael Gardini Gomes, que deixou esposa e um filho, foi assassinado dentro de um Renault Sandero na avenida Carneiro da Fontoura, no bairro Passo D´Areia. Três criminosos foram vistos abandonando o veículo.



O presidente da Associação de Motoristas Particulares e de Aplicativos do Rio Grande do Sul (AMPA-RS), Carlos Guessi, anunciou o início da coleta de assinaturas de todos os condutores que trabalham para a Uber com o objetivo de fazer com que a empresa não aceite mais pagamento em dinheiro ou que permita ter a opção de enquadrar-se ou não nessa modalidade. Lembrando que sete colegas já foram mortos em assalto neste ano, o dirigente disse que a preocupação da categoria é com a segurança.

“Queremos um cadastro mais completo do usuário que paga com dinheiro. Exigimos que sejam fornecida cópia da carteira de identidade, frente e verso, comprovante de endereço e foto atual. Não somos contra o pagamento em dinheiro desde que o cadastro seja mais completo”, reivindicou. Conforme Carlos Guessi, o cadastro permite a colocação de qualquer nome de usuário no sistema, citando casos de palavrões ao invés de nomes de pessoas. “A empresa não verifica o cadastro”, criticou.

Já o motorista André Luiz Moraes reclamou que a Uber teria retirado a ficha de Rafael Gardini Gomes após o crime. Na avaliação dele, a medida deve prejudicar inclusive a investigação policial em relação ao trajeto que a vítima fez com o veículo desde o início da viagem e quem seria os solicitantes. “A criminalidade está em todo o lugar”, alertou, defendendo também a opção do motorista aceitar ou não pagamento em dinheiro.