Polícia

MP aponta policial amigo de Renato Cariani favorecendo influenciador durante as investigações

Investigação revela que André Dziuba teria auxiliado Renato Cariani em processo, trocando mensagens sobre assuntos pessoais e profissionais

Investigação revela que André Dziuba teria auxiliado Renato Cariani em processo, trocando mensagens sobre assuntos pessoais e profissionais
Investigação revela que André Dziuba teria auxiliado Renato Cariani em processo, trocando mensagens sobre assuntos pessoais e profissionais Foto : Divulgação / Redes Socias

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apontou que o influenciador digital e empresário Renato Cariani, de 50 anos, mantinha uma relação de amizade com o policial civil André Dziuba, que, segundo o órgão, teria favorecido o empresário durante as investigações. Cariani é acusado de associação para o tráfico, tráfico de matérias-primas destinadas à produção de drogas e lavagem de dinheiro.

O Estadão tenta contato com Aldo Romani Netto, advogado responsável pela defesa de Cariani. A defesa de Dziuba não foi localizada. O espaço segue aberto.

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Mensagens pessoais e profissionais

Segundo o documento, formulado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ao qual o Estadão teve acesso, Cariani e Dziuba trocavam mensagens sobre assuntos não apenas profissionais, mas também pessoais.

"A proximidade é evidenciada, entre outros elementos, por solicitações pessoais feitas pelo policial ao empresário, inclusive relacionadas à obtenção de suplementos para tratamento de seu joelho, ao mesmo tempo em que André recorria a Renato para obter auxílio ou informações relacionadas a fiscalizações realizadas no âmbito de suas atribuições", escreveu a promotoria.

Interferência no inquérito da Polícia Civil

Além da relação de proximidade entre os dois, o documento aponta como aspecto central a suposta interferência de Dziuba no inquérito da Polícia Civil, que tramitava na 2ª Vara Criminal de Diadema e apurava o desvio de insumos químicos faturados em nome da farmacêutica AstraZeneca.

"O policial que deveria conduzir as diligências manteve Renato informado sobre o andamento da investigação, colocou-se à disposição para que a oitiva do réu ocorresse ao seu tempo, não tem pressa e garantiu-lhe que estavam de olho e orientando o escrivão", afirmou a promotoria.

Segundo o MP-SP, Dziuba também teria repassado ao empresário dados de veículos investigados, facilitado o agendamento de depoimentos e admitido ter elaborado um relatório com o objetivo de "induzir o delegado a não fazer mais nada". Diante dos apontamentos, a promotoria pediu que o material fosse encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo.

MP-SP pede condenação de influenciador

O pedido de condenação apresentado pelo MP-SP foi encaminhado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em 21 de outubro. Em caso de condenação, a pena acumulada do influenciador pode variar entre 16 e 51 anos de reclusão em regime fechado. Atualmente, Cariani responde ao processo em liberdade.

Segundo a denúncia, a empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, localizada em Diadema-SP, da qual Cariani é sócio, teria simulado ao menos 59 vendas fictícias de insumos químicos para grandes multinacionais farmacêuticas, como a AstraZeneca.

Os produtos desviados teriam sido redirecionados para a produção em larga escala de drogas sintéticas e do refino de cocaína e crack. Além de Cariani, a promotoria também pediu a condenação dos empresários Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira por participação na rede de desvio.