A investigação conduzida pela Polícia Civil foi marcada por uma série de atropelos, orientada inicialmente pelas "visões" supostamente recebidas pela vidente Rosa Maria Jaques. O promotor Maurício Miranda, do Tribunal do Júri de Brasília, afirma que o inquérito com cerca de 6 mil páginas, distribuídos em mais de 20 volumes, contém provas periciais e testemunhais "bastantes contundentes".
O inquérito está protegido pelo segredo de Justiça. O promotor diz que continuam em andamento as investigações para identificar os executores e outras pessoas envolvidas no crime.
A denúncia contra Adriana foi feita horas depois dela falar ao jornal O Estado de S. Paulo sobre equívocos e falhas na apuração que, segundo ela, justificariam a transferência do inquérito para a Polícia Federal (PF). Citou como exemplo o fato de a Polícia Civil ter queimado as roupas das vítimas, sob a alegação de que não tinha onde guardá-las, e de não terem sido examinados indícios ligando o crime à advocacia exercida pelo casal na área fundiária.
"Nossa família está abalada, sempre fizemos tudo para ajudar na elucidação das mortes, mas desde o início temos convivido com a imperícia técnica que só dificulta a identificação dos responsáveis", afirmou.
A Coordenação de Investigação de Crimes contra a Vida (Corvida) pediu a prisão temporária da delegada Martha Vargas, que conduziu a primeira fase de investigação e de seu auxiliar, o agente José Augusto Alves, além da vidente gaúcha Rosa Maria Jaques e de seu marido João Tochetto.
Com exceção da delegada, os demais já estiveram presos temporariamente no mês passado, acusados de atrapalhar as investigações.