Polícia

MP recebe denúncia de associações da BM contra comandante

Entidades afirmam que houve falta de democracia em consulta

Samuel Vettori / Rádio Guaíba
Samuel Vettori / Rádio Guaíba Foto :
Associações da Brigada Militar encaminharam, na tarde desta quinta-feira, ao Ministério Público do Estado (MPE) uma representação contra o comandante-geral da Brigada Militar, João Carlos Trindade. Para o grupo, o coronel usou a estrutura da corporação em benefício próprio.

O presidente da Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes da Brigada Militar, Aparício Santelano, afirmou que o oficial teve a intenção de mostrar que a tropa aceitaria a proposta de reajuste salarial, apresentada pelo governo do Estado, através de uma pesquisa feita com 10 mil PMs. Segundo ele, houve coação na forma como esse questionário foi aplicado. De acordo com Santelano, a pesquisa exigia o posicionamento do policial identificado e que, "se o processo fosse democrático, a rejeição seria maior". O resultado indicou que 60% dos servidores não aceitam o projeto.

O promotor de Defesa do Patrimônio Público, André Felipe de Camargo Alves, explicou que o caso será analisado e se houver indícios de irregularidades, será instaurado procedimento para apurar as denúncias entregues nesta tarde.

Pela manhã, após reunião com entidades da classe, Trindade anunciou que vai se afastar das negociações salariais. Como principal alvo das duras críticas, o coronel adotou essa posição para evitar a acusação de que não estaria preocupado com toda a tropa.

Rejeição

Os dirigentes das entidades representativas de cabos, soldados e de sargentos e tenentes reiteraram, na manhã desta quinta-feira, que não abrem mão de reajuste linear de 19% para todas as categorias e que cabe ao governo fazer uma nova proposta para solucionar o impasse.

A Associação dos Oficiais informou que a categoria tem historicamente isonomia com os delegados. O presidente do Conselho da Associação, coronel da reserva José Guimarães, destacou que as entidades da Brigada Militar estão tentando desestabilizar o comandante e promover política para atender interesses partidários-eleitorais. Ele disse que é uma "irresponsabilidade" que um grupo queira impedir que soldados, "que passam até fome" tenham reajustes que podem chegar a mais de 20% com todas as vantagens.

O líder do governo Adilson Troca salientou que o novo projeto só poderá ser viabilizado se todas as categorias cederem um pouco, porque não há dinheiro para reajuste linear para todos, segundo ele. Troca garantiu, no entanto, que vai buscar nova proposta. O presidente da Assembleia Legislativa, Giovani Cherini, afirmou que vai continuar mediando as negociações sem fomentar divisões. Ele criticou a radicalização de todas entidades envolvidas no impasse que priorizam, nas negociações, "a máxima de tudo ou nada".

Na segunda-feira, a Associação dos Oficiais realizará assembleia geral para definir os próximos passos da categoria.