Polícia

MPF decide investigar caso do bolão da Mega Sena em Novo Hamburgo

Promotor quer saber se a Caixa coíbe os jogos coletivos e se há incentivo das lotéricas

A Procuradoria da República em Novo Hamburgo decidiu investigar o caso do bolão da Mega Sena, que deixou cerca de 40 apostadores sem um prêmio de R$ 53 milhões, na semana passada. Os jogadores não tiveram os números computados pela Caixa Econômica Federal no sorteio de 20 de fevereiro.

O procurador da República Ângelo Roberto Ilha da Silva pediu à Polícia Civil que remeta dados sobre o que foi apurado até agora. O MPF quer saber se a Caixa cumpre com o dever de fiscalizar a prática de 'bolões', proibida pelas regras do contrato entre o banco e as lotéricas. O promotor vai investigar, ainda, a suspeita de que os estabelecimentos cobrem taxa de empresas terceirizadas para organizar os jogos coletivos. A Caixa tem até o final de semana para se manifestar.

Ontem, o titular da 2ª Delegacia, Clóvis Nei da Silva, ouviu representantes da Caixa no Rio Grande do Sul, que ressaltaram que a venda de bolões prontos é irregular. Eles afirmaram,ainda, que o dono da lotérica Esquina da Sorte, alvo das investigações, havia sido notificado sobre a proibição. Os apostadores deixaram de levar a bolada devido ao suposto erro de uma funcionária, que não registrou a aposta.

O inquérito deve ser concluído em três semanas. Ainda nessa segunda-feira, advogados da lotérica encaminharam à CEF a defesa sobre o caso. O banco vai analisar os documentos antes de decidir sobre uma eventual punição. Entre as possíveis penalidades, está a revogação da licença da agência para atuar como lotérico oficial da Caixa.

Amanhã, o advogado do proprietário da Esquina da Sorte, Cláudio Rodrigues, vai entrar com um recurso na Justiça para tentar barrar o inquérito policial, uma vez que a Polícia segue investigando um suposto estelionato.