Mulher de 71 anos é presa suspeita de aliciar a própria neta em Canoas
capa

Mulher de 71 anos é presa suspeita de aliciar a própria neta em Canoas

Homem que seria o abusador foi preso

Por
Franceli Stefani

publicidade

Uma mulher de 71 anos foi presa na tarde dessa terça-feira por aliciar a própria neta em troca de favores e bens materiais, em Canoas, na região Metropolitana. De acordo com o titular da Delegacia de Proteção à Criança de Canoas, delegado Pablo Queiroz Rocha, a idosa foi detida no bairro Moinhos de Vento e, depois dos trâmites legais, encaminhada ao presídio. Um homem, que seria o abusador, também foi detido. “Ele tem mais de 50 anos. Verificamos que no período em que a vítima passava com a avó, ela dormia com esse indivíduo no próprio quarto”, conta.

Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o nome dos envolvidos não são divulgados para preservar a identidade da menor. Mesmo negando o envolvimento, ficou comprovado no inquérito policial que a mulher aceitava pagamentos feitos pelo indiciado. “Além de dinheiro, ele fez todos os móveis e a reforma da casa em que ela morava e constantemente fazia ranchos. No depoimento, ele confirmou que a cama de casal que tinha no cômodo em que a menina ficava foi comprada por ele. A relação durou mais de ano”, esclarece.

Para evitar que a jovem engravidasse, ele fornecia remédios e a obrigava a tomar. De acordo com Rocha, a avó possuía a guarda da menor e proporcionava os encontros da neta com o homem. “A vítima nos contou detalhes dos abusos e dizia que a avó estava sempre presente”, relatou. 

Na tarde dessa terça, quando os policiais chegaram para cumprir o mandado de prisão preventiva, ela ficou surpresa. “Quando dei a notícia para ela, ainda disse: ‘Vou ser presa por causa daquela pivete’”, informa. Há sete meses ela está abrigada em outro local.

Disputa de aguarda, abusos e institucionalização

A história trágica chegou ao conhecimento da delegacia há cerca de três anos, quando a aliciadora brigava pela guarda da menina com um tio. “No primeiro momento, a guarda era dele, mas de tanto que ela incomodou, ele abriu mão”, acrescenta o delegado. As investigações iniciaram há três anos, quando a disputa entre os dois partiu para a agressão física. “Na ocasião, chamamos o Conselho Tutelar, que interveio. Foi registrada a ocorrência e iniciamos os trabalhos”.

Por conta disso, a menina acabou indo para cuidados institucionais, com um pai adotivo, ela passava os fins de semana na casa da avó, quando ocorriam os abusos. “Foi percebido que quando ela voltava, estava pior. Conseguimos afastá-la depois de muito trabalho. É um processo lento porque é difícil conseguir isso pelos laços que as une”, destaca. 

Mesmo institucionalizada, a mulher mandava bilhetes para dentro do abrigo sobre os encontros com o homem e a mandava destruir o material. “Conseguimos encontrar alguns desses papéis no banheiro, recolhemos, remontamos e encaminhamos ao Judiciário”, conta o delegado.  

Avó tinha plano de fugir com a neta

Rocha revela que a mulher chegou a arquitetar a fuga com a neta para Santa Catarina. “A ideia era retirar a menina do abrigo, tanto que a avó foi flagrada na companhia do senhor vigiando a menor dentro da casa, em 2018. Vimos, então, que era inevitável representar pela prisão preventiva dos dois”, expressa o delegado. Com o pedido acatado, os dois foram indiciados. Ele pelo crime de estupro de vulnerável e ela por estupro de vulnerável e exploração sexual de adolescente.

O caso chamou atenção dos policiais que atuaram na investigação. “Ela é uma senhora dissimulada, primeiro ela briga pela guarda da menina com o tio, algo normal de acontecer, depois submete a neta a abuso. É algo que choca”, pondera o delegado Pablo Rocha. Hoje, submetida a acompanhamento psicológico e longe de todo o sofrimento, a menor apresenta melhoras. “Em nossas primeiras conversas, ela era tímida, tinha um vocabulário pobre. Hoje teve uma grande evolução e, neste caso, o abrigamento fez muito bem”.

De acordo com o diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (DPRM), o delegado regional Mario Souza, afirma que os crimes sexuais contra menores devem ser tratados de forma emergencial e com energia. “Esse tipo de situação envolve pessoas em formação e situação de risco, com possibilidades de sequelas graves para toda a vida”, frisa. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone 3425 9056 ou ainda no WhatsApp 984.590.259. O sigilo é garantido.