Polícia

Mulher investigada por envenenar bolo em Torres também é suspeita de matar o sogro

Morto em setembro por intoxicação alimentar, homem deve ter corpo exumado nos próximos dias

Coletiva da Polícia Civil sobre caso de bolo envenenado em Torres
Coletiva da Polícia Civil sobre caso de bolo envenenado em Torres Foto : Polícia Civil

A mulher presa como suspeita de envenenar o bolo que levou três pessoas à morte, em Torres, também é investigada por provocar a morte do sogro, em setembro. Ela seria Deise Moura dos Anjos, nora de Zeli Terezinha Silva dos Anjos, 61 anos, que fez a sobremesa e que perdeu o marido por intoxicação alimentar. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, em coletiva da Polícia Civil.

Segundo a apuração policial, a mulher tinha desavenças com a sogra. Não foram fornecidos detalhes sobre a questão, mas a briga entre elas teria ocorrido há mais de 20 anos, por motivos banais. A PC desconfia que isso também possa ter motivado o envenenamento do sogro.

“As coincidências levam a crer que também tenha ocorrido envenenamento na morte do marido de Zeli”, apontou a delegada regional Sabrina Deffente.

Ainda de acordo com a delegada, a exumação do corpo do homem já foi solicitada, mas ainda não há data para ser feita. Ela garante, contudo, que a medida deve acontecer em breve.

Conforme a diretora do Instituto-Geral de Perícias (IGP) Marguet Hoffmann, o tempo decorrido desde a morte do homem não deve prejudicar os trabalhos de análise. O objetivo será verificar se há também arsênio no cadáver. A substância, que é base do veneno arsênico, foi encontrada em doses letais na farinha utilizada no bolo.

"Foram encontradas concentrações altíssimas de arsênio no bolo e nas amostras de sangue, urina e conteúdo estomacal das pessoas contaminadas. Ou seja, isso exclui completamente qualquer possibilidade de intoxicação alimentar”, afirmou a diretora do IGP.

A quantidade de arsênio na farinha era de 65 gramas por quilograma, cerca de 2,7 mil vezes maior do que a concentração da substância encontrada no bolo. Nas vítimas, o químico estava presente em quantidades que superavam de 80 a 350 vezes a dose considerada letal.

"A família tinha uma convivência harmoniosa, mas havia divergências com uma única pessoa, e ela foi presa devido a provas juntadas ao inquérito. São provas robustas, que serão usadas para o indiciamento dela. Não vou entrar em detalhes agora, mas posso dizer que os motivos são desproporcionais para alguém cometer um crime desta natureza”, ponderou o titular da DP de Torres, delegado Marcos Vinicius Muniz Veloso.

Detida por ordem de prisão temporária, a suspeita vai responder por triplo homicídio duplamente qualificado e uma tripla tentativa de homicídio duplamente qualificada. Ela está recolhida no Presídio Estadual Feminino de Torres.

Leia a nota da defesa da investigada

Deise Moura dos Anjos, presa temporariamente por suposto envenenamento no caso do bolo, na cidade litorânea de Torres/RS, vem a público manifestar que possui defesa constituída, representada pelos advogados Manuela Almeida, Vinícius Boniatti e Gabriela S. Souza.

Até o presente momento, 06 de Janeiro, às 07hrs, a defesa prestou atendimento em parlatório à cliente, contudo, não teve acesso integral a investigação em andamento, razão pela qual se manifestará em momento oportuno.

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