Polícia

Mulher que foi inocentada por carta psicografada será julgada novamente

Ela é acusada de ser a mandante do assassinato do tabelião Ercy da Silva Cardoso

Mesmo tendo sido inocentada por uma carta psicografada em seu primeiro julgamento, há dois anos, uma mulher de 65 anos, sentará, na quarta-feira, novamente no banco dos réus. Ela é acusada de ser a mandante do assassinato do tabelião Ercy da Silva Cardoso, 71 anos, ocorrido em 1º de julho de 2003, em Viamão, na região Metropolitana. No julgamento de 2007, o advogado de defesa, Lúcio de Constantino, leu a carta psicografada, que teria sido ditada pela vítima a um médium, na qual inocentava a ré. Ela foi absolvida por 5 a 2. O julgamento acontece na 1º Câmara Criminal do Tribunal do Júri, em Porto Alegre. O outro acusado do crime foi condenado há 15 anos de prisão.

Na época, o julgamento durou, aproximadamente, 20 horas. "Considero muito estranho a acusação pedir um novo julgamento", criticou Constantino. "Pois, na época, a carta foi aceita e agora o assistente de acusação vem criticar". A promotoria afirmou que tive acesso à carta três semanas antes do julgamento e não a contestou. No entanto, tentaram impugnar o documento durante o julgamento, mas sua leitura foi ouvida pelos jurados, que inocentaram a acusada.

Ao ser preso em 2003, o homem apontado como o assassino do tabelião acusou a ré de tê-lo contratado por R$ 20 mil para dar um susto em Ercy. Fato negado por ela, que chegou a ter a prisão preventiva decretada, ficando presa até 2005, quando foi solta. Entretanto, em seu último depoimento, o homem mudou a versão, inocentando a acusada.

A carta da vítima teria sido psicografada em um centro espírita da Capital, um ano e meio depois do crime. Uma das cartas se destinava à ré e a outra ao marido dela. A mensagem foi aceita pelos jurados, sendo considerada uma das provas que ajudaram a inocentar a acusada.

Inclusive, um dos trechos da mensagem, datada de 22 de fevereiro de 2005, afirma que "o que mais me pesa no coração é ver a ré acusada por mentes ardilosas como a dos meus algozes. Por isso tenho estado triste e oro diariamente em favor de nossa amiga para que a verdade prevaleça e a paz retorne aos nossos corações". As mensagens, no entanto, não são claras em relação a quem teria cometido o assassinato.