A Brigada Militar de Pelotas atendeu na tarde desta segunda-feira denúncia anônima de maus-tratos. Ao chegar à residência, localizada na rua Maria Belmira Teles, no Par Querência, os brigadianos encontraram a mulher, de 55 anos, que vivia em condições desumanas. Sem conseguir caminhar, porque tem os dedos dos pés atrofiados, a mulher passa o dia em cima da cama, onde se alimenta, toma banho e faz suas necessidades fisiológicas. Ela mora com a filha B.A.M., 28.
Espalhados pela casa, de dois cômodos pequenos, havia ração e fezes de cachorros, restos de comida, que estavam em decomposição, roupas, além de garrafas e sacolas utilizadas pela vítima para urinar e defecar. Em meio ao odor do ambiente sem limpeza, a vítima disse que não entende porque a filha a trata assim. "Não tenho ninguém para conversar, eu fico falando sozinha e às vezes acho que enlouqueci", disse.
Segundo a vítima, ela e a filha vivem nesta casa há um ano. A filha sai pela manhã para trabalhar e volta apenas à noite, para dormir. Com renda própria, vinda do aluguel de dois imóveis no centro da cidade, a mulher explicou que a filha busca a quantia e lhe entrega. "Eu dou dinheiro para ela comprar roupas e comida, não entendo porque ela faz isso comigo."
Ela contou que em 2007 ficou em coma por causa de um problema na tireóide. Depois disso, seus dedos atrofiaram e ela não consegue caminhar. Ela possui outros dois filhos, um está preso e outro não aparece para vê-la. Sem mais familiares, ela conta com a ajuda de vizinhos que lhe levam água e comida. "Eu tinha uma vida normal, trabalhava, mas agora não consigo caminhar, não aguento mais viver desse jeito", desespera-se.
A vítima falou ainda que não toma banho de chuveiro. "Minha filha me limpa com pano úmido". Com medo de passar mal e ficar presa na casa, ela deixa a porta aberta por onde entram os cachorros. Vizinhos contaram que uma cadela e quatro filhotes pertencem à filha e ficam dentro da residência. A Brigada Militar levou a mulher para o Pronto Socorro de Pelotas (PSP) para realizar exames e depois será encaminhada por uma assistente social a um local apropriado. A filha foi encaminhada para a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA).
Mulher submete mãe de 55 anos a maus-tratos
Vítima, que não consegue caminhar, ficava em casa sem condições higiênicas, em Pelotas