O soldado Alexandre Curto dos Santos, 38 anos, concedeu uma entrevista exclusiva à Rádio Guaíba na manhã desta quinta-feira. Acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) de ter assassinado um sem-terra intencionalmente em agosto deste ano em um acampamento na Fazenda Southall, em São Gabriel, Santos alega que pensou estar sem munição letal no momento do tiro.
No momento mais tenso da reintegração, ele atirou com a espingarda calibre 12 contra Elton Brum da Silva, 42 anos. Integrante do Movimento do Trabalhadores Sem-Terra (MST), que ocupava a fazenda há uma semana, Elton morreu com o tiro pelas costas.
Santos relatou que, no dia da ação da Brigada Militar no acampamento, viu o agricultor tentando puxar a rédea do cavalo em que um colega seu estava e que, em um ato de reflexo, disparou contra Brum. O soldado disse ainda que deduz que trocou de arma acidentalmente com um colega durante a viagem entre Bagé e São Gabriel. "Se eu soubesse que estava com uma arma com munição letal, não teria feito o disparo", explicou.
O soldado disse ainda que ficou paralisado quando percebeu que estava com o arma errada. "Depois do disparo, eu não vi mais nada, não fiz mais nada, fiquei completamente paralisado. Foi um choque", contou. "Se tu está em uma situação de assalto, tu sabe que pode matar alguém, mas era uma situação bem diferente", definiu.
A versão de Santos vai contra a do Ministério Público de São Gabriel, que afirma que Brum estava com as mãos no bolso e se afastando da movimentação quando foi baleado. O MP denunciou Santos por homicídio qualificado, mas a Vara Criminal de São Gabriel decidiu que o homicídio era simples. O MP recorreu da decisão.
Santos continua trabalhando na Brigada Militar de Bagé em uma função administrativa.
"Não sabia que estava com munição letal", diz soldado acusado de matar sem-terra
Alexandre Curto dos Santos concedeu uma entrevista exclusiva à Rádio Guaíba