O medo e a insegurança fizeram o mercado de blindagem de veículos crescer 15% no ano passado, no Rio Grande do Sul. O número de carros com esse revestimento no Brasil aumentou mais de 26 vezes de 1995 a 2013, passando de 388 veículos para 10.156 unidades, segundo dados da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin). A previsão da entidade é que, em 2015, a produção das empresas associadas tenha um incremento de 5,4%, produzindo 10.704 unidades. Há uma estimativa de que haja 143.943 veículos blindados no País.
O aumento da frota acompanhou o crescimento do sentimento de insegurança no país. No Rio Grande do Sul, segundo os empresários do setor, a procura permaneceu estável nos últimos anos. No entanto, no ano passado, ocorreu um aumento de 15% na procura desse tipo de serviço. A perspectiva é que este ano o percentual fique igual ou maior.
O perfil de quem procura o serviço é bem específico. Empresários e executivos respondem por 70% dos clientes. O processo também é procurado por cantores e artistas (15%), juízes (8%) e políticos (7%). Segundo a Abrablin, 57% dos proprietários são homens e 43% mulheres, em sua maioria na faixa etária de 30 a 39 anos. Entre os carros, os que mais passam pelo processo de blindagem são Tiguan, da Volkswagen, seguido por Corolla, da Toyota, Jetta, também da VW, Evoque, da Land Rover, e XC 60, da Volvo.
No Brasil, apenas três dos seis níveis de blindagem existentes são permitidos para a população. O primeiro suporta disparos de revólveres de calibres 22 e 38. Já o II resiste a armas de calibre 9 mm e Magnum 357. Enquanto o nível III-A, utilizado em 95% dos casos, suporta até Magnum 44. O valor do serviço varia de acordo com o nível da blindagem e com a estrutura do veículo. O preço do serviço é de aproximadamente R$ 47 mil.
A blindagem exige o uso de materiais controlados, existindo fiscalização por parte do Exército, Polícia Civil e Detran em relação às firmas especializadas. No RS, há mais de 2 mil veículos registrados. Segundo o delegado Mauro Vasconcellos, da Divisão de Armas, Munições e Explosivos (Dame) da Polícia Civil, qualquer mudança na categoria do veículo deve ser comunicada ao órgão. “O proprietário tem a obrigação de informar sobre a venda, por exemplo, para termos conhecimento de que outra pessoa possui esse tipo de veículo”, afirma o titular da Dame.
Número de veículos blindados cresceu 15% no RS
Empresários e executivos respondem por 70% dos clientes