Um ato realizado no Palácio Piratini reforçou o trabalho do governo do Estado para prevenção da violência contra a mulher. A campanha “Não maquie, denuncie” é coordenada pela Secretaria da Mulher, recriada recentemente no Rio Grande do Sul. O ato realizado no Palácio Piratini reuniu representações de entidades de atendimento à mulher, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.
Em sua fala, o governador Eduardo Leite destacou que o Estado enfrentou momentos difíceis e que o governo é cobrado a realizar investimentos em melhorias, mas afirmou que o orçamento não pode se limitar apenas a entregar infraestrutura.”Por isso, essa campanha nos lembra que a violência contra a mulher não começa no feminicídio. Ela começa quando alguém tenta silenciar, limitar, controlar. E isso não pode ser normalizado”, enfatizou.
A secretária da Mulher, Fábia Richter, apresentou a política da nova pasta e detalhou os eixos de atuação no enfrentamento à violência, com foco na prevenção, proteção e monitoramento. Ela ressaltou também que a mulher só consegue denunciar quando se sente verdadeiramente segura. “A segurança não se resume à polícia. Ela nasce do vínculo. A mulher precisa saber para quem está se entregando. É por isso que as equipes locais e a rede de cuidado são fundamentais. Por isso, nosso primeiro passo foi mapear todos os serviços institucionais, conhecê-los e organizá-los, para que a mulher saiba exatamente onde buscar ajuda”, relatou.
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A diretora de Publicidade e Marketing da Secretaria de Comunicação, Natacha Gastal, apresentou os detalhes da campanha e destacou que o objetivo vai além da divulgação. “Nós não estamos apenas lançando uma campanha. Estamos apresentando um posicionamento público. A violência contra a mulher não é um problema das mulheres, é um problema da sociedade. Esse é um ponto de virada na forma como o Estado comunica e assume essa responsabilidade”, sustentou.
Natacha lembrou que as barreiras à denúncia não são apenas legais ou administrativas, mas culturais. “A violência não começa no feminicídio. Ela começa nos pequenos sinais, nas agressões invisíveis, nas frases normalizadas, nas piadas que silenciam. Durante décadas, aprenderam a nos ensinar a perdoar, a compreender, a tratar como normal quem nos violenta. E isso mantém a violência no espaço privado, quando deveria ser tratada como uma questão social. A violência contra a mulher não pode ser uma narrativa naturalizada”, comentou.
Ainda sobre a campanha, o governador indicou que a ação tem justamente o propósito de romper o silêncio e encorajar a denúncia. “Estamos dizendo às mulheres: vocês não estão sozinhas. E estamos dizendo aos homens: essa é uma pauta que também lhes diz respeito. Só com diálogo, denúncia e acolhimento conseguiremos impedir que vidas sejam interrompidas. Nosso compromisso é construir um Rio Grande do Sul em que todas as pessoas possam ser, por inteiro, o que desejam ser. O primeiro passo é reconhecer as diferenças: de gênero, de idade, de crença religiosa, de orientação sexual, de visão política. A nossa diversidade não nos enfraquece, pelo contrário, ela nos fortalece. A força do Rio Grande do Sul está em sermos diferentes, mas unidos no propósito de construir uma sociedade melhor”, concluiu Leite.
69 feminicídios
De acordo com o Observatório Estadual da Segurança Pública, de janeiro a outubro deste ano, 69 mulheres foram mortas e 220 foram vítimas de tentativas de feminicídio no Estado. Além disso, nesse mesmo período, cerca de 40 mil mulheres denunciaram algum tipo de violência.
Os dados indicam ainda que a maioria dos casos de violência acontece dentro da casa da vítima ou do suspeito, revelando que o companheiro da mulher é o principal agressor.
Rede de Proteção da Mulher no Rio Grande do Sul
A Rede de Proteção da Mulher no Rio Grande do Sul representa um compromisso do Estado com a promoção dos direitos das mulheres, oferecendo suporte integral e articulado para aquelas em situação de violência. Integram as principais iniciativas da rede:
- Centro de Referência da Mulher Vânia Araújo Machado: localizado em Porto Alegre, oferece atendimento psicológico,social e jurídico por equipe multidisciplinar, visando o fortalecimento e empoderamento das mulheres atendidas.
- Delegacia de Polícia Online da Mulher RS: plataforma digital para registro de ocorrências de violência contra a mulher, facilitando o acesso à justiça.
- Observatório da Violência Contra a Mulher: monitora e divulga indicadores de violência, subsidiando políticas públicas eficazes.
- Sala das Margaridas: ambiente acolhedor para atendimento às vítimas de violência doméstica, proporcionando suporte especializado.
- Programa de Monitoramento do Agressor: utiliza tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores em tempo real, prevenindo novas agressões.
- Patrulha Maria da Penha: realiza visitas periódicas às vítimas para fiscalizar o cumprimento de medidas protetivas de urgência.
- Rede Lilás: comitê interinstitucional que articula serviços públicos nas áreas de segurança, saúde, educação, assistência social e justiça para mulheres e meninas vítimas de violência.
- Diversidade de ações